Espanha e Grécia elevam tensão e derrubam os mercados

Títulos públicos espanhóis atingem o retorno mais alto da história após mais uma região pedir ajuda financeira ao governo central

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SÃO PAULO – O sentimento de crise voltou a se intensificar entre os investidores. Os temas parecem repetidos: o mercado desconfia que a Espanha tenha que pedir mais ajuda e que a Grécia não consiga honrar com seus compromissos. E os mercados respondem em forte queda nesta segunda-feira (23).

Os contratos futuros dos EUA indicam que as bolsas por lá devem abrir em forte queda, superior a 1%. Na Europa não é diferente e os principais índices acionários já estão em forte retração. Destaque para as duas economias que têm mais desconfiança do mercado: Itália, cujo índice FTSE MIB despenca 4,02%, e Espanha, cujo Ibex 35 marca forte retração de 3,26%.

Após a região de Valência pedir ajuda ao governo central na sexta-feira, Múrcia também anunciou que deve recorrer a um programa da Espanha para se manter solvente, em troca de duras metas fiscais. Reportagens na mídia espanhola dão conta que outras áreas devem seguir o mesmo caminho, como a Catalunha, Castilha La Mancha, Andaluzia, as ilhas Baleares e as ilhas Canárias.

Por sua vez, os líderes da Zona do Euro já deixaram claro que o empréstimo de até € 100 bilhões será destinado exclusivamente à ajuda ao setor bancário, e não ao governo da Espanha.

Refletindo os temores de que o país possa precisar de mais um resgate para manter suas regiões com dinheiro suficiente, os investidores exigem mais retorno para comprar títulos públicos do país. Aos 7,48%, a marca já é um recorde histórico para o país.

Grécia: mais um resgate?
Enquanto a crise por lá se intensifica a cada dia, a Grécia também retorna ao foco do mercado. A Comissão Europeia afirmou nesta data que o país não receberá a próxima parcela de empréstimo até que os credores internacionais terminem a avaliação sobre o país, o que não deve acontecer antes de setembro.

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Os temores se tornam mais consistentes após a publicação alemã Der Spiegel informar que já parece claro para a Troika – trinca formada por Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional) – que a Grécia não conseguirá atingir as metas fiscais que foram acordadas anteriormente. A reportagem ainda diz que esse atraso em alcançar os objetivos deve gerar um novo pacote de ajuda, avaliado em até € 50 bilhões.

Indústria em retração e Bradesco revê crédito
Por aqui, a agenda de indicadores é carregada. O destaque fica por conta do Relatório Focus, que, depois de 10 quedas consecutivas na expectativa de crescimento do país, mostrou estabilidade na projeção, a 1,90% neste ano. Por sua vez, agora se espera que a indústria deva recuar 0,04%, fato que é inédito na pesquisa. Anteriormente, previa-se um avanço de 0,09% no setor. Para o restante do pregão estão previstas a divulgação da nota de mercado e a balança comercial.

Na temporada de resultados, o Bradesco (BBDC4) anunciou nesta manhã um lucro contábil de R$ 2,8 bilhões, mas chama atenção o fato de ter revisado para baixo a projeção de crescimento na carteira de crédito: antes estimado em um crescimento entre 18% a 22%, agora o banco prevê um avanço de 14% a 18%. Para o restante da sessão o mercado ainda aguarda os números do Pão de Açúcar (PCAR4).