Publicidade
SÃO PAULO – Embora os mercados acionários tenham recebido bem a notícia de resgate aos bancos espanhóis, para os investidores da dívida pública europeia o pacote só representou aumento de riscos. Conforme a eficácia dos sucessivos resgates à Zona do Euro é colocada em xeque, a demanda por mais rendimento dos títulos de longo prazo cresce no mercado secundário nesta segunda-feira (11).
De fato, os bancos receberão uma injeção de liquidez de € 100 bilhões na Espanha, recurso vindo diretamente de fundos da União Europeia. Mas, o primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, assustou o mercado com declarações nada otimistas. Segundo ele, o resgate evitou uma intervernção do FMI (Fundo Monetário Internacional), mas não será a resposta para a crise que o país vivencia.
Os holofotes também recaíram sobre a Itália. Agora que a Espanha recebeu ajuda, o vizinho é visto pelo mercado como a próxima vítima do efeito dominó.
A insatisfação com o pacote não veio só dos investidores. O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Coelho, declarou publicamente seu descontentamento com a forma “privilegiada” com a qual a Espanha foi tratada. Em Madrid, a população foi às ruas em protesto contra a ajuda recebida pelo setor financeiro espanhol.
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.
Continua depois da publicidade
Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:
| País | Rendimento | Variação* | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 28,90% | -0,02 | +27,56 |
| Portugal | 10,67% | -0,40 | +9,33 |
| Itália | 5,90% | +0,13 | +4,56 |
| Espanha | 6,37% | +0,15 | +5,03 |
| França | 2,58% | +0,07 | +1,24 |
| Alemanha | 1,34% | +0,01 | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg