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SÃO PAULO – Com crescimento de 30% no Ebitda (geração operacional de caixa) entre o 1º trimestre de 2011 e de 2012, a Cia Providência (PRVI3) anseia a deixar a seu status de small cap para trás e gerar valor para seu acionista. A empresa tem ganhado cada vez mais reconhecimento do mercado, chegando a ganhar espaço até relatório de recomendações da corretora Coinvalores, e mostra crescimento significativo nos últimos 365 dias – alta de 27,33%, contra queda de 9,01% do Ibovespa no período.
Muitos investidores tentam replicar umas das histórias de maior sucesso da bolsa brasileira nos últimos anos, o caso da Hering (HGTX3), cujos papéis tiveram alta de aproximadamente 9.500% desde 2005. Encontrar uma small cap similar é obsessão para muitos, justamente por serem essas as empresas que possuem, espaço para crescer. Será que este pode ser o caso da Providência?
Números mostram evolução
Os principais executivos da empresa paranaense, atuante no setor de não-tecidos, parecem acreditar que sim. “A companhia tem realizado investimentos sistemáticos e eles tem se tornado realidade agora. Se o mercado reagir bem, 2012 deve ser um ano excelente”, afirmou Hermínio de Freitas, CEO (Chief Executive Officer) da Providência em entrevista exclusiva ao Portal InfoMoney.
Os números divulgados na noite desta segunda-feira (14) reforçam essa visão. A empresa teve um avanço de 21,1% na receita líquida do primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo os R$ 139,4 milhões. Já o lucro permaneceu estável – em R$ 7,1 milhões. A estabilidade do lucro líquido não preocupa Eduardo Feldmann, CFO (Chief Financial Officer). “Nesse período tivemos impacto com a variação do câmbio. Além disso, nosso endividamento também era outro, já que estamos financiando novas expansões”, afirma.
Crescendo em terras norte-americanas
Uma dessas expansões ocorre nos Estados Unidos. A Providência recentemente inaugurou uma máquina na sua planta de Statesville, na Carolina do Norte. A intenção, explica o CEO da companhia, é aproveitar crescer naquele mercado e se aproveitar também de mercados que possuem tratados de livre comércio com os EUA. “Queremos ter duas bases de operação, uma na América do Sul, focado no Brasil, e uma na América do Norte, com foco nos EUA”, afirma Freitas.
Ele destaca que o atual período vivido pelo país não o assusta. “Essa história de que a economia norte-americana está desacelerando é relativa. Nosso principal mercado por lá, o de fraldas geriatrícas, cresce muito acima da economia dos Estados Unidos, principalmente por conta do envelhecimento da população”, destaca. Trata-se da geração de baby-boomers, nascidos após a 2ª guerra mundial, e que já estão acostumados com esse tipo de produto – foram os primeiros a contar com fraldas descartáveis em larga escala.
Além disso, esses investimentos nos EUA ressaltam a baixa competitividade da economia brasileira, e devem ajudar a companhia a cortar custos e solidificar novos contratos por lá. “A empresa já exportava para os Estados Unidos, mas os custos logísticos não ajudavam. Aqui, o produto as vezes ficava preso no porto por um mês. Estando lá, podemos atender nossos clientes em apenas um dia”, afirma o CEO.
Potencial doméstico ainda elevado
Mas não é por ver qualidades no mercado norte-americano que a Providência ignora o mercado doméstico – ou regional. Suas operações na América do Sul ainda respondem por dois terços de todo o faturamento, enquanto à exposição ao mercado norte-americano fica com o resto. O Brasil, por sua vez, representa 60% do todo. Por aqui, porém, os planos são mais contidos.
“Estamos inaugurando uma nova planta em Pouso Alegre em breve, mas por aqui pretendemos acompanhar o crescimento do mercado”, salienta Freitas. Isso é benefíco para a companhia, líder no mercado nacional de não-tecidos, que vê seu setor crescer, na média dos últimos cinco anos, 10% ao ano. A economia brasileira teve desempenho pior, crescendo menos que 5% na média desses anos.
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“Enquanto houver crescimento de renda do brasileiro, a empresa deve apresentar números melhores”, afirma Freitas. Além disso, o CEO destaca que o foco da Providência deve mudar, em reflexo ao envelhecimento da população: ao invés de fraldas infantis, a maior participação da população da terceira idade pode fazer com que as fraldas geriátricas venham a ser o destaque, frisa o CEO.
Empresa cresce se endividando
Nos últimos anos, a companhia tem investido para crescer, o que causa sentimentos ambíguos em muitos investidores. “Acredito que os planos de expansão não são agressivos, eles são realistas. Por aqui, buscamos acompanhar o mercado, e nos EUA ainda somos um player pequeno”, afirma Freitas. Ele destaca que novos investimentos deverão ser realizados, mas que a reação do mercado deve decidir a direção dos mesmos – ou a América do Sul, ou a América do Norte.
Já Feldmann destaca que o fato da companhia registrar um balanço estável garante que ela busque novas dívidas – a relação entre dívida líquida e Ebitda cresceu 38,1% entre um ano e outro, atingindo uma relação de 3,6 vezes. “A estratégia que a empresa tem adotado, estamos fazendo investimentos com capital de terceiros – ele é muito mais barato que o capital próprio”, afirma o CFO.
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Ele destaca, porém, que as condições de crédito têm sido muito positivas. “Um exemplo é que nossas maquinas são alemãs, por isso temos a garantia de um órgão de fomento alemão, que nos dão financiamentos extremamente baratos por 10 anos”, afirma Feldmann. Essa dívida deve se transformar em fluxo de caixa em breve, com a operação das máquinas de Pouso Alegre e da Carolina do Norte.
“Teremos crescimento do Ebitda por pelo menos os próximos 18 meses, com a melhora rampa de vendas das novas máquinas. Em 2012, deveremos ter geração de caixa superior”, finaliza Freitas.