Grécia eleva risco de rompimento na Zona do Euro e continua a guiar mercados

Membros do BoE já preparam plano de contigência; por outro lado, agenda nos EUA e Petrobras podem fornecer alívio para a bolsa

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SÃO PAULO – Os pregões passam, mas a palavra que move – geralmente para baixo – as bolsas não muda: Grécia. O país, que a cada dia parece mais próximo de desrespeitar os acordos internacionais e deixar a Zona do Euro, tem sido apontado como o culpado pelas fortes quedas recentes dos mercados. Desta vez, os mercados europeus registram sinais mistos, enquanto o mercado futuro nos EUA sinaliza para um início de negociações no campo positivo, após as fortes perdas recentes.

“O foco dos mercados continuará centrado na situação política da Grécia nas próximas semanas, até ocorrer a próxima eleição”, escreve em relatório Arne Lohmann Rasmussen, analista do Danske Research. Na última terça-feira o líder socialista Evangelos Venizelos anunciou que também não conseguiu formar um governo de coalizão, e portanto nova eleição deverá ser convocada para junho – a mídia local diz que a data deverá ser em 17 de junho. 

Temores de uma corrida bancária também já começam a circular na imprensa internacional, com reportagens afirmando que os gregos já retiraram € 700 milhões em depósitos dos bancos apenas na segunda-feira. “Nós esperamos que os mercados financeiros permaneçam muito nervosos no próximo mês, já que o risco de um default ou até mesmo da Grécia saindo do euro subiram significativamente”, complementa o analista.

Contágio espanhol e fim da Zona do Euro?
Enquanto isso, na Espanha, o primeiro-ministro Mariano Rajoy alerta que se o país não conseguir reduzir o déficit ele poderá perder acesso ao mercado – o rendimento dos títulos públicos de dez anos do país atingiu 6,5%, o maior nível desde novembro do ano passado.

Para piorar ainda mais o clima externo, o BoE (Bank of England) anunciou que já estuda – há algum tempo – um plano de contingência para um possível rompimento da Zona do Euro. Aliás, o país divulgou nesta manhã o Relatório de Inflação, no qual avisou que a inflação demorará mais para retornar à meta, assim como o PIB (Produto Interno Bruto) deverá crescer menos que o previsto anteriormente.

Agenda carregada nos EUA
Por outro lado, os dados da Zona do Euro sinalizam alguma melhora: a balança comercial de março aumentou o superávit para € 8,6 bilhões, uma forte alta sobre o € 1 bilhão do mesmo período do ano anterior, enquanto a inflação no acumulado de doze meses arrefeceu de uma elevação de 2,7% em março para uma de 2,6% em abril.

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No entanto, notícias que ainda estão por vir podem alterar os rumos do mercado, pelo menos para este pregão. Nesta tarde será divulgado, nos EUA, a ata da minuta do Fomc (Federal Open Market Committee), assim como uma série de indicadores sobre o setor imobiliário e sobre a indústria, com dados sobre a produção e a capacidade utilizada.

Petrobras: números superam expectativas
Além do mais, apesar de ofuscado pelo cenário internacional, eventos domésticos não devem ser ignorados. Na última noite a Petrobras (PETR3, PETR4) revelou um resultado trimestral melhor que o esperado, apesar da queda de 15,7% do lucro líquido, para R$ 9,43 bilhões. No after-hours da BM&FBovespa, as ações da petrolífera subiram 1,87%, em reação ao resultado.

Por fim, outras empresas importantes, que participam do Ibovespa, também soltaram seus resultados, como a JBS (JBSS3), a CCR (CCRO3). Vale se atentar, ainda, para como se comportarão as ações do setor imobiliário, as quais despencaram na última sessão em resposta aos números trimestrais.