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SÃO PAULO – A apreensão no mercado financeiro internacional e as constantes intervenções do Banco Central para reverter a forte valorização do real frente ao dólar levaram opções consideradas mais seguras para a liderança dos melhores investimentos em abril. O ouro, que acumulava desvalorização mensal desde dezembro, ganhou o primeiro lugar após render 5,33% no período.
Já o dólar, medido pela taxa Ptax, que liderou o ranking de rentabilidade dentre as seis modalidades de investimento acompanhadas pelo Portal Infomoney no mês de março, ficou em segundo lugar após avançar 4,32% no período.
O Ibovespa manteve a lanterna ocupada em março, com desvalorização real de 5,02%, descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). Essa performance indicou um mercado mais pessimista com o desenrolar dos acontecimentos internacionais, principalmente por conta da recessão que ronda a Zona do Euro e das crescentes chances da Espanha precisar de um pacote de resgate. Nas últimas seis semanas, o índice registrou perdas em cinco delas.
Na renda fixa, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) acumulou retorno de 0,63% e foi seguido de perto pelo desempenho dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), que marcaram alta de 0,58% em abril.
A caderneta de poupança, por sua vez, teve uma piora de rentabilidade no período, com ganhos de 0,52%, contra 0,61% em março. O mês antecedente, que teve uma inflação mais branda, também contribuiu para que o rendimento real fosse mais significativo.
| Investimento | Abril | Real* | Março | Real** |
| Dólar PTAX | +4,32% | +3,47% | +6,61% | +6,15% |
| CDI*** | +0,63% | -0,22% | +0,78% | +0,35% |
| CDB **** | +0,58% | -0,27% | +0,74% | +0,31% |
| Poupança | +0,52% | -0,33% | +0,61% | +0,18% |
| Ouro | +5,33% | +4,48% | -0,31% | -0,74% |
| Ibovespa | -4,17% | -5,02% | -1,98% | cvv-2,40% |
| IGP-M | +0,85 | – | +0,43% | – |
* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,85% em abril de 2012
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,43% em março de 2012
*** Taxa Efetiva Andima
**** CDB Líquido (acima de R$ 100 mil)
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Recessão mais próxima da Europa
Temores sobre uma possível recessão na Europa continuaram a pressionar o mercado, situação que só deve melhorar no último trimestre de 2012, segundo a agência de classificação de risco Standard & Poor’s. O PIB (Produto Interno Bruto) espanhol mostrou contração de 0,4% nos primeiros três meses de 2012, após retrocesso de 0,3% no trimestre anterior, configurando uma recessão. Seguindo este cenário, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou o rating do país em dois graus, para BBB-.
Na Espanha estiveram as principais referências do mês de abril. o Banco Central do país avisou que os bancos podem precisar de mais capital, fazendo com que os CDS (Credit Default Swap) espanhois, uma espécie de “seguro” anti-moratória, batessem seus maiores níveis desde novembro no início deste mês. A dívida do setor bancário do país com o BCE (Banco Central Europeu) também bateu novo recorde.
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O Banco Central da Espanha divulgou que a inadimplência do crédito bancário do país atingiu o maior nível desde 1994, enquanto o governo do país afirmou que a dívida pública atingirá 79,8% em 2012, acima dos 68,5% esperados por 2011. Mesmo assim, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, a Comissão Europeia, a Alemanha e a França negaram a necessidade de um novo resgate financeiro ao país.
A Grécia também chamou atenção, após o presidente do Banco Central, George Provopoulos, afirmar que a economia do país deverá encolher mais do que o previsto em 2012. Mesmo com a deterioração da economia, o BCE manteve a taxa básica de juro do continente inalterada em 1% ao ano, como era esperado. O presidente da instituição, Mario Draghi, afirmou acreditar em uma recuperação econômica moderada na Zona do Euro em 2012. Já o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse que a crise fiscal nos países da Zona do Euro está “superada”.
O otimismo estendeu-se ao FMI (Fundo Monetário Internacional), que elevou as expectativas para o crescimento da economia mundial em 2012, mas alertou para a possibilidade da Itália possivelmente não cumprir a meta de redução de déficit em 2012 e 2013. José Viñals, diretor de mercado monetário e de capitais do FMI, afirmou que os países europeus precisam intensificar a luta contra a crise, afirmando que o BCE já fez demais.
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Tensões políticas também foram sentidas no continente. Além das eleições na França, que foram para um segundo turno entre o atual presidente Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, apresentou seu pedido de renúncia após não conseguir acordo para implantar medidas de austeridade. Rutte deve liderar o governo até novas eleições.
Brasil corta Selic em 0,75 p.p
A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que terminou com um corte em 75 pontos-base na taxa básica de juro brasileira, para 9% ao ano, foi a principal referência doméstica. Essa decisão já era amplamente esperada pelo mercado, que projeta mais um corte de 0,50% na taxa básica de juros antes do final do ano. A intenção é estimular a economia nacional. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada após a reunião, confirmou que o ciclo de cortes da taxa básica de juro, a Selic, poderá ser desacelerado.
No campo político, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o atual estado da economia brasileira permite novos estímulos, por conta da solidez fiscal e recuo da inflação. Mantega também afirmou que as medidas do Governo contra a apreciação do real frente ao dólar têm caráter permanente e não provisório. Já a presidente Dilma Rousseff, em encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a criticar a política de expansão monetária adotada pelos países desenvolvidos com o objetivo de sair da crise que abalou a economia internacional.
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Ainda por aqui, o Governo Federal definiu em R$ 155,9 bilhões a meta de superávit primário, enquanto Miriam Belchior, ministra do Planejamento, indicou crescimento de 4,5% do PIB nacional em 2012. O ministério da Fazenda reiterou as projeções de crescimento do PIB nacional para 2012 e 2013, em 4,5% e 5,5%, respectivamente. A Serasa Experian apresentou o PIB mensal, mostrando que a atividade econômica cresceu 0,4% em fevereiro.
Política monetária em foco nos EUA
Com a política monetária em pauta também nos Estados Unidos, o Fomc (Federal Open Market Committee) deixou inalterada a taxa básica de juro do país entre 0% e 0,25% ao ano. A autoridade avaliou que o país vem crescendo moderadamente em 2012, enquanto o presidente da autarquia, Ben Bernanke, ressaltou que a inflação vista na economia é temporária e que o país vem progredindo na fiscalização das companhias “too big too fail” (grandes demais para quebrarem, na tradução livre) e na transparência do governo.
A agenda ecônomica também esteve em foco. O Relatório de Emprego mostrou uma menor criação de vagas do que o esperado, enquanto o déficit do orçamento do governo norte-americano foi maior que o esperado. Já o PIB marcou avanço de 2,2% no primeiro trimestre de 2012, decepcionando as expectativas do mercado.
Ásia traz pessimismo
A China trouxe mau humor após a divulgação de dados abaixo do esperado. O PIB (Produto Interno Bruto) chinês cresceu de 8,1% no primeiro trimestre deste ano, seu pior nível desde 2009. Já a balança comercial chinesa mostrou menores importações, antecipando o sentimento de desaceleração.
A aceleração da inflação ao consumidor na China também pressionou os mercados. Essa notícia é extremamente negativa por diminuir as expectativas de novos estímulos no gigante asiático, justamente em um momento em que a economia está desacelerando.
O PMI prévio de abril da China mostrou uma leve melhora em relação a março, mas ainda tenha mostrado retração. Por sua vez, no Japão, o BoJ (Bank of Japan) elevou o programa de compra de ativos para ¥ 70 trilhões, a fim de continuar estimulando a economia.
Pontas do Ibovespa
Após a reestruturação societária, e um plano estratégico que revelou forte investimento para os próximos anos e uma robusta remuneração aos acionistas sob a forma de dividendos, as ações OIBR4 passarem de perdas para uma valorização de 17,60% no mês, encerrando o período negociadas a R$ 11,49, a maior valorização do Ibovespa no mês. No mesmo sentido, as ações ordinárias somaram alta de 15,09% no mês, a segunda melhor colocação no índice.
Acompanhando o desempenho negativo do setor imobiliário em abril, a ação da PDG (PDGR3) fechou o mês como a maior baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando desvalorização de 28,68% e cotada a R$ 4,50. A baixa ocorreu na esteira de um prejuízo de R$ 20,37 milhões nos resultados não auditados para o quarto trimestre de 2011, revertendo lucro de R$ 202,8 milhões reportado um ano antes. Na mesma data, a companhia reduziu o guidance de vendas e sinalizou para baixos retornos nos próximos trimestres.