Dólar perde força, mas consegue se manter acima de R$ 1,82

Moeda reflete declarações da véspera do secretário do Tesouro Nacional; analista alerta para impacto de um novo corte na Selic

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SÃO PAULO – O dólar comercial perdeu força nesta terça-feira (20), mas segue operando no campo positivo nesta tarde, com alta de 0,68%, cotado a R$ 1,823. Segundo o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki, a moeda reflete as declarações da véspera do secretário do Tesouro Nacional. Sasaki explica que a expectativa e os fundamentos do dólar apontam para uma tendência de compra, dada a posição do Governo, que é claramente intervencionista no câmbio.

Porém, o gerente de análise da XP Investimentos destaca que a perda de força da divisa também tem uma explicação. “Ainda temos um fluxo de estrangeiros muito grande, pois eles seguem atuando em uma ponta vendedora. Isso se dá pelo fato da nossa taxa de juros ser a mais atraente dentro do grupo G-20, por exemplo”, explica.

Todavia, Sasaki afirma que este alívio trazido pelos estrangeiros poderá ficar mais moderado daqui pra frente. “Esse fluxo vai mudar, pois essa ponta vendedora tende a se modificar inclusive com os próximos cortes na taxa [Selic]”, conclui.

O recado do Governo
Na véspera, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que o Governo irá antecipar parte do pagamento da dívida externa para ajudar no combate à valorização do real.

Segundo entrevista de Augustin à Agência Estado, a quitação antes do prazo de vencimento dos empréstimos e dos títulos da dívida abre espaço para compras maiores de dólares no mercado local pelo Tesouro Nacional. Augustin afirmou que Governo já negocia o pagamento antecipado de US$ 2,9 bilhões de empréstimo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), mas o potencial de quitação antecipada é superior a US$ 15 bilhões.

Mostrando que o Planalto não está satisfeito com o patamar de R$ 1,80 para o dólar, Augustin disparou ainda que várias medidas cambiais estão sendo preparadas para evitar a continuidade do processo de valorização do real, de modo a surpreender o mercado.

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Agenda dos EUA
Como na agenda desta terça-feira não haverá indicadores domésticos, os dados do mercado imobiliário norte-americano ganham espaço. Nos Estados Unidos, o Housing Starts, mostrou um número de casas em início de construção abaixo do esperado em fevereiro, enquanto o Building Permits computou um número de permissões para a construção de imóveis  maior do que o previsto pelos analistas.