Dia de agenda fraca deve trazer estabilidade ao mercado

Investidores acompanham Existing Home Sales dos EUA, e podem repercutir orçamento do Reino Unido, em meio a grande déficit

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SÃO PAULO – Depois de um dia de mau humor nas bolsas por conta de perspectivas de demanda industrial menor na China, os investidores devem continuar acompanhando nesta quarta-feira (21) o cenário externo em meio a uma agenda fraca de dados econômicos no Brasil.

O próprio mercado europeu se mostra cauteloso em um dia de poucos indicadores, com os principais índices observando sinais opostos. O DAX 30, de Frankfurt, por exemplo, avança 0,27%, enquanto o Ibex 35, da bolsa de Madri, recua 0,38%. Para Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, por aqui o Ibovespa deve andar de lado.

O Banco Central divulga o Fluxo Cambial da semana às 12h30 (horário de Brasília), que pode demonstrar se as ações do Governo estão sendo suficientes para conter a entrada de dólares. Mas o foco, em termos de indicadores, fica mesmo por conta dos dados imobiliários dos Estados Unidos, de vendas das residências já existentes.

Reino Unido
Além disso, o BoE (Bank of England), autoridade monetária do Reino Unido, soltou a ata de sua reunião realizada na semana anterior, dando pistas de que o programa de compra de ativos pode ser expandido em breve. Dois membros do banco central britânico votaram que a operação fosse aumentada em £ 25 bilhões, para £ 350 bilhões. A manutenção dos juros foi unânime.

Mas, de acordo com o analista Arne Rassmussen, do Danske Bank, um dos eventos mais importantes do dia na Inglaterra é a entrega do orçamento governamental ao Parlamento. O ministro de Finanças George Osborne luta para conseguir manter estímulos ao crescimento e evitar uma recessão, enquanto o déficit público por lá vem aumentando, conforme mostram dados anunciados nesta manhã.

A agência de classificação de risco Fitch, por exemplo, já revisou sua perspectiva para negativa sobre a nota soberana do país. A chance, segundo o comunicado, é de mais de 50% de que a nota de crédito máxima do Reino Unido, de AAA, será cortada dentro de dois anos.

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Petróleo
Apesar da queda nos preços de commodities em geral na véspera, com a estimativa de que a China está se desacelerando mais rapidamente, uma matéria-prima continua se valorizando: o petróleo. O Dasnke lembra que a Arábia Saudita pode incrementar sua produção em 25% para trazer os patamares a US$ 100 por barril.

Mas Rasmussen não acredita que as palavras dos árabes vão fazer muito para conter os preços. Um dos temores é que, com esses constantes reajustes para cima, a demanda se encolha e, então, a curva assuma uma tendência de queda bem acentuada, como houve em 2008.