Mesmo com bom desempenho de indicadores dos EUA, dólar opera em alta

Moeda segue de olho no impasse na Grécia e no corte das notas de crédito de bancos, anunciada pela Moody's

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SÃO PAULO – O dólar comercial segue o clima de aversão ao risco e opera nesta quinta-feira (16) em alta de 0,2%, cotado a R$ 1,726. Já no câmbio internacional, a moeda aponta valorização diante do euro (+0,09%), do iene (+0,48%) e do franco suíço (+0,19%), mas desvaloriza-se frente à libra (-0,43%).

Entre os motivadores do movimento está o anúncio da agência de classificação de risco Moody’s de alteração das notas de crédito de 114 instituições financeiras de 16 países europeus. Deste total, 109 bancos tiveram a perspectiva dos ratings da dívida de longo prazo revista para negativa, o que indica que poderão surgir cortes nas notações financeiras. A agência também revelou a mesma ação para outros grandes bancos mundiais, como os norte-americanos Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley.

Para entender o movimento da moeda, vale também olhar para o cenário interno. “Tendo em vista que haverá um longo feriado pela frente, é natural que os riscos sejam mitigados como linha de postura defensiva, recomendada pelo ambiente de incertezas predominante no cenário internacional”, explica o diretor da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme.

Segundo ele, o preço da moeda americana tende a ser pressionado. “Porém ainda há recursos tomados no exterior por empresas a serem ingressados, o que ainda posterga um pouco a tendência de apreciação do dólar, que certamente se instalará a partir do início do 2º trimestre”, conclui.

Mais Europa
No velho continente, os investidores também não se animam com a economia local, especialmente com o atraso do segundo pacote de resgate à Grécia. Segundo a imprensa internacional, alguns credores da Zona do Euro ameaçam adiar a liberação do auxílio financeiro à Atenas para depois das eleições gregas, que acontecem em abril. Não bastasse isso, o Eurogrupo cancelou a reunião que estava programada para quarta-feira, deixando para discutir o novo plano de socorro só no dia 20 de fevereiro, segunda-feira.

Indicadores positivos não ajudam moeda
Nos EUA a agenda é pesada, mas traz bons resultados. O Housing Starts, índice que aponta o número de casas que começam a ser construídas, registrou 699 mil casas no resultado anualizado de janeiro, acima dos 671 mil imóveis esperados. O Building Permits, que mostra o número de autorizações para a construção de imóveis, computou 676 mil permissões para construção civil.

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O Departamento de Trabalho reportou o PPI (Producer Price Index), que registrou alta de 0,1%, enquanto em dezembro havia registrado queda de 0,1%. O mercado esperava taxa positiva de 0,3%. Já o Core PPI, que é calculado sem os preços de alimentação, mostrou avanço de 0,4%, acima da alta de 0,2% estimada pelo mercado.

Ainda por lá, o Initial Claims registrou um total de 348 mil pedidos de auxílio desemprego, enquanto a média de projeções do portal norte-americano Briefing esperava 365 mil. Por fim, o Fed divulgou o Philadelphia Fed Index, de atividade industrial, que superou levemente as projeções de mercado e terminou em 10,2 pontos positivos em fevereiro.

Indicadores domésticos
Na agenda de indicadores desta quinta-feira, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) revelou o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) que apontou taxa de 0,24% na segunda semana de fevereiro. A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) do mesmo período que apontou inflação de 0,30%. Tivemos ainda o o IBC-Br (Índice Mensal de Atividade do BC)que apontou avanço de 2,72% em 2011, segundo o Banco Central.