Publicidade
SÃO PAULO – Em semana encurtada por conta do feriado de Carnaval, na qual o Ibovespa permaneceu fechado na segunda e terça-feira, o principal índice de ações da bolsa brasileira acumulou leve queda de 0,39% no período entre 22 a 24 de fevereiro, fechando esta sexta-feira (24) aos 65.942 pontos. A Europa voltou a ser o foco do mercado durante esse período, com os investidores avaliando os novos desdobramentos políticos e econômicos na crise do velho continente, sobretudo na Grécia, país mais afetado.
As ações da Tele Norte Leste (TNLP3) foram o principal destaque de alta nesta semana dentre os papéis que compõem o Ibovespa, com valorização de 6,15%, cotadas a R$ 21,75 cada. Enquanto isso, na ponta negativa estiveram os ativos da Hypermarcas (HYPE3), que recuaram 9,27% no período, a principal queda dentro do índice, terminando este pregão a R$ 11,36 cada.
Petrobras e Vale
A forte valorização de importantes blue chips na semana amenizou a perda do Ibovespa. Os ativos da Petrobras (PETR3, +2,33%, R$ 25,95; PETR4, +1,79%, R$ 24,48) encerraram o período em alta, uma pequena recuperação após a forte queda da semana passada. A companhia declarou comercialidade de óleo do sul da Bacia de Santos à ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), encontrou petróleo em águas ultraprofundas de reservatórios em Santos e mostrou uma produção 2,6% maior de petróleo e gás natural em janeiro. Um vazamento de óleo na plataforma Cidade de Santos foi confirmado, e a ANP investiga este e outros dois vazamentos da companhia.
Já as ações da Vale (VALE3, +2,70%, R$ 44,09; VALE5, +2,33%, R$ 42,97) fecharam a semana também em alta. No período, foi anunciado o aumento das exportações de minério de ferro brasileiro para China, seu principal mercado.
Economia grega em foco
Enquanto boa parte do globo comemorava o Carnaval, na Europa o clima não era de festa. A Grécia voltou a ser o centro das atenções, após ter sido aprovado um novo pacote de ajuda ao país no valor de € 130 bilhões. Para tanto, credores privados da dívida grega concordaram em descontar 53,5% sob o valor de face dos seus títulos, algo que já aprovado no parlamento da Grécia. Com perdas já contabilizadas por conta dessa situação, os resultados dos grandes bancos europeus decepcionaram o mercado.
Para José Barroso, presidente da Comissão Europeia, o acordo elimina de vez as chances de um pedido de default desordenado por parte da economia grega. Contudo, a Fitch rebaixou o rating de longo prazo da dívida da Grécia de CCC para C, considerando tal acordo um default, se for concluído. O país previu um aumento do déficit de 5,4% para 6,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2012. Um déficit maior também pode ser sentido na Espanha, que pediu as autoridades da União Europeia para suavizar a meta deste ano.
Continua depois da publicidade
Estagnação econômica
Se o noticiário grego reforçou o sentimento de cautela entre os investidores globais, o outlook do continente como um todo também não amenizou o clima pesado na região. A Comissão Europeia projeta que o PIB da União Europeia irá estagnar, enquanto a Zona do Euro registrará um recuo moderado no primeiro trimestre de 2012. A instituição também propôs suspensão de apoio de € 495 milhões à Hungria. Vale ressaltar ainda que, no último trimestre de 2011, a Alemanha e o Reino Unido apresentaram contração de 0,2% cada.
E por falar em estagnação econômica, a recessão poderá ser sentida na Grécia até pelo menos 2013, podendo fazer ainda com que Portugal precise de um novo resgate. Mesmo passando por uma situação econômica delicada, o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia, Olli Rehn, destacou que a Zona do Euro deve manter seus compromissos fiscais. O setor privado da Zona do Euro registrou contração em fevereiro, segundo dados preliminares do PMI (Purchasing Managers’ Index), aumentando as incertezas sobre a economia no continente.
Na Alemanha, a chanceler do país, Angela Merkel, sofreu uma derrota política, com a indicação de Joachim Gauck para presidência alemã – candidato apoiado pela oposição. No lado positivo, o índice de confiança alemão avançou para o nível mais alto em sete meses, atingindo 109,6 pontos em fevereiro.
Continua depois da publicidade
Brasil com poucas referências
Ao contrário do movimentado noticiário internacional, no Brasil a semana contou com poucas referências devido ao Carnaval. Os investidores repercutiram a Nota do Setor Externo do Banco Central, apontando que a entrada de investimentos estrangeiros diretos no País, a soma de ingressos líquidos em janeiro, foi de US$ 5,4 bilhões. O BC revelou ainda o fluxo cambial, com saldo positivo de US$ 6,520 bilhões.
As mais recentes projeções para a economia também estiveram em foco, com o relatório Focus mostrando redução nas expectativas para todos os índices inflacionários de fevereiro. Além disso, o PIB de 2011, medido pelo Serasa Experian, revelou alta de 2,6%.
Política norte-americana em discussão
Em linha com o velho continente, o desempenho da principal economia mundial, os Estados Unidos, também chamou atenção na semana. Por lá, discussões sobre um novo Quantative Easing foram reacendidas, embora provavelmente esta alternativa só seja de fato adotada caso a economia volte a mostrar sinais de maior deterioração. Também em discussão por lá está uma reforma tributária corporativa, o que reduziria a taxa global paga pelas companhias norte-americanas.
Continua depois da publicidade
Na agenda econômica da maior economia do mundo, foram divulgados números majoritariamente positivos. Michigan Sentiment, New Home Sales e Initial Claims mostraram-se melhores que o esperado – enquanto o Existing Home Sales desapontou o mercado. A bolsa norte-americana também esteve fechada na segunda-feira, por conta do feriado do Dia do Presidente.
O presidente norte-americano, Barack Obama, pediu à população dos Estados Unidos para que pressionem os seus congressistas a apoiarem medidas criadas para beneficiar quem possui hipotecas excessivas e um novo imposto para milionários. O democrata afirmou ter sido muito importante o apoio da população para a aprovação da extensão de benefícios e corte de impostos para desempregados.
Ásia anima
Do outro lado do mundo, o mercado mostrou-se satisfeito com a redução dos compulsórios na China, anunciada no final de semana. Na agênda econômica do gigante asiático, destaque para o PMI mostrando que produção industrial avançou em fevereiro.
Continua depois da publicidade
Dólar e Renda Fixa
O dólar comercial registrou queda de 0,44% nesta semana, terminando a R$ 1,7064 na venda.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 9,27%, alta de 0,09 ponto percentual no período.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 132,92% de seu valor de face, alta de 0,04% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou alta de 3 pontos-base na semana, aos 200 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda para a semana correspondente aos dias 27 de fevereiro e 2 de março, as atenções se voltam para a divulgação da segunda préiva do PIB dos EUA refernete ao quarto trimestre. A principal economia do mundo também ganha atenção pela divulgação do Livro Bege do Federal Reserve.
No front doméstico, os investidores acompanharão as notas de política monetária e fiscal divulgadas pelo Banco Central. Na pauta de índices de preços, destaque para o IGP-M de fevereiro.