Aumento de aversão ao risco pressiona e Ibovespa fecha com queda de 1,06%

Benchmark descola das bolsas norte-americanas, mas fecha em linha com os índices europeus; fim do encontro do G20 trouxe cautela

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SÃO PAULO – No vermelho durante toda a sessão de segunda-feira (27), o Ibovespa fechou em queda de 1,06%, aos 65.241 pontos. Embora descolado do desempenho dos índices norte-americanos, o benchmark da bolsa brasileira acompanhou o dia negativo registrado nas bolsas europeias, refletindo o aumento de aversão ao risco após a reunião do G20. O giro financeiro ficou em R$ 5,8 bilhões.

Poucos resultados na reunião de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do G20 elevaram o stress do mercado nesta sessão. Neste final de semana, concluiu-se que a Europa deve incrementar os seus recursos no combate à crise da Zona do Euro antes que os países ao redor do mundo também ampliem a sua ajuda. Assim, foi adiado o aumento os repasses ao FMI (Fundo Monetário Internacional) em US$ 500 bilhões, conforme anunciado em janeiro.

Ainda no Velho Continente, o Parlamento alemão aprovou o segundo pacote de resgate à Grécia, no valor de € 130 bilhões. Contudo, Angela Merkel, chanceler alemã, afirmou que não há garantias de que esse pacote tenha sucesso. Ainda na maior economia europeia, o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, declarou que o ideal seria que a Grécia fosse encorajada a deixar a Zona do Euro. Merkel se opõe a ideia.

Na Europa, também chamou a atenção a fala de José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, de que uma barreira de proteção à crise não será definida na próxima reunião de cúpula da União Europeia.

Destaque de ações
Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para as imobiliárias. Cyrela (CYRE3) e PDG Realty (PDGR3) tiveram dias negativos, com as ações das duas empresas recuando 3,22% cada, terminando aos R$ 17,42 e R$ 7,22, respectivamente. Já os papéis da MMX Mineração (MMXM3) tiveram queda de 3,19%, aos R$ 9,09. As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CYRE3 CYRELA REALT ON 17,42 -3,22 +17,39 52,46M
 PDGR3 PDG REALT ON 7,22 -3,22 +22,37 107,89M
 MMXM3 MMX MINER ON 9,09 -3,19 +36,28 42,85M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 11,00 -3,17 +29,41 78,68M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 10,11 -3,16 +9,42 28,35M

Já na ponta positiva do Ibovespa, destaque para os ativos da Marfrig (MRFG3), que tiveram forte alta de 7,15%, terminando aos R$ 9,89. Os papéis refletiram a criação de uma nova divisão, a Seara Foods, e chegaram a registrar alta de 9,86% no intraday, quando operavam a R$ 10,14. As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 9,89 +7,15 +15,81 45,29M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN 57,18 +2,29 +1,23 8,65M
 FIBR3 FIBRIA ON 15,59 +1,70 +12,40 35,40M
 BRFS3 BRF FOODS ON 35,45 +1,55 -2,66 57,92M
 BRML3 BR MALLS PAR ON 21,66 +1,36 +19,54 29,55M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 24,35 -0,53 720,94M 725,76M 48.714 
 VALE5 VALE PNA 42,50 -1,09 416,32M 745,39M 22.109 
 PETR3 PETROBRAS ON 25,55 -1,54 243,33M 175,00M 14.343 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 17,70 -2,64 200,53M 303,68M 15.506 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,65 -0,60 169,98M 164,59M 18.068 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 35,61 -1,08 151,66M 293,93M 9.113 
 BBDC4 BRADESCO PN 30,06 -1,02 144,51M 223,65M 12.244 
 BBAS3 BRASIL ON ED 27,01 -1,24 140,69M 222,04M 14.456 
 VALE3 VALE ON 43,62 -1,07 129,17M 180,92M 7.477 
 AMBV4 AMBEV PN 68,54 +0,79 121,34M 89,56M 7.104 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Agenda de indicadores
Na agenda doméstica desta segunda-feira, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente a terceira quadrissemana de fevereiro. O indicador apontou inflação de 0,07%. Ainda por aqui, a FGV (Fundação Getulio Vargas) anunciou o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) de fevereiro, com deflação de 0,06%.

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Ainda por aqui, o BC divulgou o Relatório Focus, que, mais uma vez, reduziu todas as projeções inflacionárias para fevereiro. A autoridade monetária também publicou a Nota de Mercado Aberto de janeiro, mostrando que a DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal Interna) caiu em aproximadamente R$ 59 bilhões em relação ao último mês de 2011.

Já nos Estados Unidos, o Pending Home Sales, indicador da venda de casas existentes com contrato assinado, atingiu 97 pontos, número melhor que o esperado pelo mercado.

Bolsas Internacionais
Nos EUA, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas , fechou em leve alta de 0,14% e atingiu 1.368 pontos, seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite valorizou-se 0,08% a 2.966 pontos. Por outro lado, a Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,01% atingindo 12.982 pontos.

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Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou baixa de 0,74% e atingiu 3.441 pontos; no mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 0,33% chegando a 5.916 pontos e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,22% a 6.850 pontos.

Dólar
O dólar comercial passou por forte volatilidade nesta segunda-feira. Após uma manhã no campo positivo, a moeda passou para o vermelho no começo da tarde, mas logo depois voltou a operar em alta. Nos instantes finais da sessão, ela virou para queda novamente, fechando com leve desvalorização de 0,06%, cotada a R$ 1,7054 na venda – renovando sua mínima desde 31 de outubro de 2011, quando fechou a R$ 1,7031.  

Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros fecharam em alta nesta sessão. O contrato de juros de maior liquidez nesta segunda-feira, com vencimento em janeiro de 2014, registrou uma taxa de 9,84%, 0,06 ponto percentual acima do fechamento de sexta-feira.

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No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,05% a 132,99% do valor de face.

Já o indicador de risco-País registrou alta de 4 pontos-base nessa sessão, aos 205 pontos.

Agenda da próxima sessão
Na agenda doméstica de terça-feira (28), destaque para a divulgação da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito de janeiro pelo Banco Central. O indicador traz as estimativas sobre a base monetária, os empréstimos de bancos privados e o total de empréstimos no mercado financeiro.

Nos Estados Unidos, será reportada a avaliação do volume de pedidos e entregas de bens duráveis, o Durable Good Orders, formulado pelo Departamento de Comércio. Também será divulgado o S&P/Case-Shiller Home Price, indicador que denota a trajetória dos preços das casas no país por meio de uma média móvel trimestral.

Ainda na pauta econômica norte-americana será revelado o Consumer Confidence, índice que mede a confiança dos consumidores em cerca de 5.000 lares norte-americanos.