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SÃO PAULO – A intensificação da crise da dívida na Zona do Euro pode levar a uma piora no sistema financeiro asiático. Essa é a opinião tanto do FMI (Fundo Monetário Internacional) como da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, que na semana passada rebaixou a nota de crédito de nove das 17 nações da união monetária.
As duas instituições alertaram nesta segunda-feira (16) para a possibilidade de a oferta de crédito ficar mais escassa na Ásia nesse cenário negativo, o que impactaria o crescimento dos países. Isso porque os bancos europeus estão altamente posicionados em ativos no continente, como explicou David Lipton, vice-diretor-gerente do fundo, em Hong Kong.
Ian Thompson, diretor de crédito da S&P, ainda lembra, em entrevista à agência Dow Jones, que apesar de bancos asiáticos terem carteiras seguras e fortes níveis de depósitos, uma rodada mais intensa de aversão ao risco por conta da Europa poderia levar o setor financeiro a pagar caro para se financiar. Os australianos, por exemplo, já estão disponibilizando prêmios maiores por seus papéis.
Crescimento econômico
Já o PIB (Produto Interno Bruto) do continente tem a possibilidade de ser duramente afetado, caso a crise na Zona do Euro avance ainda mais. Isso porque algumas economias da região têm forte exposição aos europeus, grandes compradores de seus produtos. Coreia do Sul e Japão já sentiram a queda na demanda durante o ano passado.
Como a dependência de compras da união monetária ainda não foi superada e os governos na Ásia e no Pacífico teriam dificuldade em estimular sua atividade industrial através de medidas fiscais, Thompson crê que a resposta a uma desaceleração global seria menos eficiente do que o observado em 2008. Mesmo assim, a S&P está otimista.
O FMI, por exemplo, pede que os países continuem a buscar o aumento da liquidez no sistema bancário, para evitar esse contágio financeiro à Ásia. Além, disso, Lipton espera que os processos de consolidação fiscais não impactem as projeções de crescimento. A instituição planeja, porém, reduzir suas estimativas para todo o mundo em 2012.