Ações da Vale sobem mais de 4% com dados da China e maior dividendo

Remuneração mínima a acionistas será 50% a mais em 2012, e "pouso suave" chinês traz boa estimativa para commodities

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SÃO PAULO – Em um dia de otimismo nas bolsas pelo mundo, a Vale (VALE3, VALE5) teve alta valorização nesta terça-feira (17), ajudando a sustentar o movimento positivo do Ibovespa, depois de anunciar uma distribuição maior de dividendos neste ano.

Enquanto as ações ordinárias subiram 5,11%, cotadas a R$ 42,79, as preferenciais registraram ganhos de 4,10%, a R$ 40,91 – alcançando, respectivamente, a segunda e a quarta maior alta do benchmark da bolsa. O índice brasileiro, por sua vez, avançou 1,14%, alcançando os 60.653 pontos.

A alta negociação dos papéis também refletiu em um volume financeiro bastante expressivo dos ativos da companhia. As ações VALE5 apresentaram um volume de R$ 955,9 milhões, uma movimentação bem acima da média dos últimos 21 dias, de R$ 570 milhões. Já os ativos VALE3 apresentaram giro financeiro de R$ 269,7 milhões, quase o dobro da média de R$ 147 milhões dos últimos 21 pregões.

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US$ 6 bilhões em remuneração aos acionistas
Na véspera, a mineradora decidiu, em reunião da diretoria executiva, pagar US$ 6 bilhões em remuneração mínima ao acionista durante 2012, 50% a mais do que o observado no ano passado. Uma expansão da política de distribuição já era esperada, mas o valor superou as expectativas do mercado.

Marcos Assumpção, do Itaú BBA, por exemplo, esperava esse patamar em US$ 5,6 bilhões. Além disso, o analista avalia que esse aumento mostra que a Vale estima preços positivos do minério de ferro durante o ano, o que traria forte geração de caixa. E se vai pagar US$ 2 bilhões a mais, o risco de realizar aquisições mais agressivas no mercado é reduzido, ainda mais considerando o projeto de investimentos no patamar de US$ 21 bilhões.

Quando comparado com o fechamento do dia anterior, o retorno de dividendos por preço pago nas ações, ou dividend yield, chega a 5,2% para cada ativo ON e 5,4% para os papéis PN.

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China também sustenta alta
É importante ressaltar, também, que o PIB (Produto Interno Bruto) de 2011 apresentado pela China está auxiliando na atual alta dos papéis. O crescimento durante o ano chegou a 9,2%, sendo 8,9% só no quarto trimestre, na comparação anual. Analistas esperavam uma expansão próxima aos 8,7% para o período.

Apesar de apontar para um desaquecimento da atividade por lá, a projeção é de que o banco central promova um alívio monetário para estimular o consumo, uma vez que a inflação já se encontra em trajetória descendente. Isso potencializa o resultado de todas as produtoras de commodities, mas a Vale em especial, já que que os chineses são os maiores clientes da companhia.

De acordo com o analista do setor William Alves, da XP Investimentos, caso esse movimento de maior estímulo à economia se concretize na China, a trajetória positiva das ações da mineradora deve continuar se sustentando.

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Recomendações
O Itaú reforça a avaliação de performance acima da média de mercado para os papéis da Vale, escolhendo-a como a preferida dentre as companhias expostas a matérias-primas. O preço justo foi calculado em R$ 53,00, o que traria um potencial teórico de valorização de 29,55% frente à cotação de 17 de janeiro dos ativos VALE5.

Por sua vez, a Concórdia fixa esse alvo em R$ 53,46, projetando um upside de 30,68% na mesma comparação. A recomendação da corretora é de compra dos papéis.