Brasil deve sofrer menos com cenário internacional em 2012, afirma HSBC

Analistas afirmam que combinação de afrouxamento monetário e fiscal e aumento no salário mínimo levarão a maior crescimento

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SÃO PAULO – Com perspectivas de um ano mais positivo, o HSBC acredita que os setores cíclicos (setores com demanda estável, independente da época do ano) domésticos são os que apresentarão melhor desempenho em 2012, ao invés dos setores defensivos. O banco espera que o crescimento do PIB se acelere nesse ano, com alta de 3,7%. 

De acordo com os analistas Alexandre Gartner e Francisco Vanzolini, o crescimento do PIB brasileiro deve acelerar para cerca de 5% na segunda metade do ano, ante cerca dos atuais 2%. A combinação do afrouxamento nas políticas monetária e fiscal, a eliminação de medidas macroprudenciais e um aumento de 14% no salário mínimo são fatores que levarão a esses maior crescimento, afirmam os analistas.

Gartner e Vazolini avaliam que o ano será de forte volatilidade, gerada principalmente pelos desdobramentos da crise europeia. “Porém, a oferta do BCE (Banco Central Europeu) de € 500 bilhões em linhas de LTRO (Operação de Refinanciamento de Longo Prazo)  no final de dezembro de 2011 e outra janela a se abrir no final de fevereiro reduzem em muito os riscos em torno do setor financeiro e ganham um tempo precioso para que seja encontrada uma solução”, avaliam. Assim, a percepção de risco deve ser menor.

China terá pouso suave 
Para Gartner e Vanzolini, a China terá apenas um “pouso suave”, com crescimento de 8,6% do PIB, o que representa um fator positivo para as commodities e para o Brasil. “Os últimos números do país mostram que o crescimento está surpreendendo positivamente e confirmam nossa opinião otimista”, afirmam.

Já com relação aos EUA, apesar dos analistas acreditarem que não haverá uma expansão forte do consumo, o crescimento previsto é de 1,5% do PIB em 2012. A visão dos analistas é de que a economia norte-americana será relativamente resiliente este ano. 

Os analistas também ressaltam que a desaceleração econômica na Europa impactará o Brasil, levando a uma pressão para baixo sobre o crescimento. Porém, o impacto será menor do que o ocorrido na crise de 2008 e 2009.

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“Os ventos favoráveis cada vez mais intensos vindos da China e o grande poder de fogo político do Brasil devem ser suficientes para equilibrar a equação”, afirmam. Desta forma, os investidores devem se concentrar na dinâmica doméstica.

Crescimento x Inflação
De acordo com os analistas, o principal catalisador de curto prazo para as ações é a recuperação cíclica da economia depois da desaceleração no terceiro trimestre de 2011. Já a ameaça continua sendo a dinâmica de crescimento versus a inflação.

O HSBC espera uma aceleração do crescimento no segundo semestre, com alta de 2% do PIB nos primeiros três meses do ano, e de 4,1%, 4,6% e 5,2% nos três semestres seguintes. Segundo os analistas, a principal preocupação é saber com que rapidez se dará o ressurgimento da inflação.

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Para Gartner e Vanzolini, a inflação deverá ser uma questão a partir do segundo trimestre, direcionando-se para 5,4% em 2012 e 6% para 2013. “Assim, é difícil defender a tese de um ciclo de crescimento de vários anos, como o vivenciado no Brasil de 2004 e 2008”, afirmam.

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.