Fed terá meta de inflação de 2% no longo prazo, diz Bernanke

Autoridade monetária norte-americana passará a ter um alvo para a oscilação dos preços da economia do país

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SÃO PAULO – O Federal Reserve passará a adotar uma meta de inflação para os Estados Unidos no longo prazo, destacou o presidente da autoridade moentária local, Ben Bernanke. Segundo Bernanke, a meta do país para o longo prazo será de 2%, medida pelo PCE (Personal Consumption Expenditures).

“Estamos tentando elevar a previsibilidade de nossas decisões, para diminuir o sentimento de incertezas econômicas”, afirmou o chairman do Fed, em discurso realizado após a instituição anunciar que manterá os juros baixos nos Estados Unidos até 2014.

“Uma meta inflacionária superior a 2% reduziria o poder de compra do cidadão norte-americano e menor que isso poderia se tornar deflação”, disse Bernanke, ressaltando os impactos que um cenário deflacionário poderia trazer ao país – e que não seria sábio tomar uma meta de 0%, algo que ficou implícito durante o termo de seu antecessor, Alan Greenspan. De acordo com ele, uma meta de 2% poderia levar a um “crescimento saudável” da atividade econômica do país.

Sem meta para desemprego
Contudo, Bernanke se eximiu de traçar alguma meta para a taxa de desemprego, explicando que que seria muito difícil para que o banco central estipulasse um patamar desse. O economista apenas ressaltou que uma taxa de 5,2% até 6,0% seria o considerado normal para o BC norte-americano, embora ela só deva convergir para esse patamar gradualmente e depois de 2014.

Bernanke ponderou ainda dizendo que a autoridade norte-americana trata os seus dois objetivos – menor desemprego com estabilidade de preços – com o mesmo peso, afirmando que não deverá sacrificar a meta de inflação para diminuir o número de desempregados na economia dos Estados Unidos. Assim, ele rejeita que o Fed tomaria a forma do Banco Central brasileiro ou do BCE (Banco Central Europeu), que apenas possuem metas para a inflação e as seguem.