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SÃO PAULO – O rendimento dos títulos públicos de dez anos da Alemanha e da França sobem 0,03 ponto percentual e 0,10 ponto percentual, respectivamente, no mercado secundário nesta terça-feira (6), após a Standard & Poor’s alertar que pode rebaixar as notas de crédito de 15 países da Zona do Euro, incluindo as duas grandes potenciais econômicas.
A agência de classificação de risco divulgou num comunicado que colocou em revisão para potencial rebaixamento as notas de crédito de 15 países da região do euro, afirmando que a tensão sistêmica no bloco monetário aumentaram nas últimas semanas e agora ameaçam o crédito da região como um todo.
Segundo a S&P, a revisão das notas deve ser concluída o mais rápido possível depois da reunião de cúpula da União Europeia, programada para os dias 8 e 9 de dezembro. “Os ratings podem ser rebaixados em até um grau nos casos de Áustria, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Holanda e Luxemburgo e até dois graus no caso dos demais governos”, afirmou a agência, em comunicado.
Os governos da França e da Alemanha responderem à decisão, afirmando, em comunicado conjunto, que tomaram conhecimento do movimento da agência e que reiterando que sua convicção de que as propostas apresentadas pelos dois governos sobre a coordenação política, econômica e orçamentária reforçam a Zona Euro e incrementarão a estabilidade, a concorrência e o crescimento.
EFSF
O possível corte do rating da Alemanha e da França acende uma luz amarela no mercado sobre um impacto negativo na classificação do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira). O fundo de resgate tem sido uma importante ferramenta no combate à crise da dívida na Zona do Euro, uma vez que tem financiado pacotes de ajuda à Grécia, Irlanda e Portugal por meio da venda de títulos públicos.
Se o EFSF se tornar mais arriscado aos olhos dos investidores, terá que pagar mais juros para colocar seus bônus, o que pode gerar uma incapacidade de fornecer o financiamento necessário para os países em dificuldades.
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No radar
Com a reunião de cúpula da União Europeia se aproximando, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, chega em Frankfurt nesta terça-feira para conversar com os líderes europeus e o BCE (Banco Central Europeu).
Na véspera, a chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, concordaram sobre medidas anticrise e pediram por um novo tratado europeu. As medidas discutidas por eles devem ser apresentadas no encontro do Eurogrupo marcado para o final desta semana.
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, sendo que a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
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Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.
Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 32,41% | +0,01 p.p. | +30,17 |
| Portugal | 13,35% | -0,05 p.p. | +11,11 |
| Itália | 5,98% | +0,03 p.p. | +3,74 |
| Espanha | 5,14% | +0,02 p.p. | +2,90 |
| França | 3,23% | +0,10 p.p. | +0,99 |
| Alemanha | 2,24% | +0,03 p.p. | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg