Seja pelo lado negativo ou positivo, veja algumas ações que se destacaram em 2011

Da queda de 83,37% das ações da Mundial em apenas três dias à retomada das operadoras de cartões, os dez destaques do ano

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SÃO PAULO – O otimismo para 2011 não se confirmou, e a bolsa brasileira teve um ano decepcionante, com queda acumulada de 18,11% no seu principal índice, o Ibovespa. Contudo, algumas ações tiveram desempenho bastante diferente do benchmark e chamaram a atenção dos investidores por conta disso. 

Nesse sentido, a InfoMoney selecionou dez ações que surpreenderam tanto positivamente quanto negativamente. Nesta seleção não poderia faltar o exemplo da Mundial (MNDL4), que mesmo com uma forte alta em 2011, protagonizou uma história que terminou sendo investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Os papéis da companhia chegaram a apresentar valorização anual de 1651% na metade de julho, mas perderam mais de 80% desse valor no final daquele mesmo mês.

Entre este e outros casos curiosos, confira os 10 destaques da bolsa em 2011:

 Os 5 Destaques Positivos   Os 5 Destaques Negativos 
Redecard/Cielo Mundial
Cia Hering B2W Varejo
TIM Gafisa
MPX Energia Hypermarcas
Klabin Siderúrgicas

Operadoras de Cartões (RDCD3+49,20% CIEL3, +53,39% em 2011)
O surpreendente no caso dos papéis da (RDCD3) e Cielo (CIEL3), que lideraram os ganhos do Ibovespa em 2011, não foi a valorização em si, e sim, as bases em que isso aconteceu. Após a grande desconfiança que pairou sobre as ações no ano de 2010, quando foi quebrada a exclusividade das bandeiras e credenciadoras, temia-se o avanço de concorrentes nesse tipo de negócio, o que levou à cortes de recomendação e à queda dos papéis. A Cielo viu sua ação despencar dos R$ 40,43 em maio de 2010 para R$ 25,80 em fevereiro de 2011. A Redecard também sofreu, recuando de R$ 28,23 para R$ 17,15 nesse mesmo período. 

Contudo, os resultados trimestrais das companhias seguidamente superaram a expectativa do mercado. O duopólio das empresas parecia não estar sendo afetado, e os números seguiam sólidos. Assim, os papéis, tão prejudicados pelos temores, recuperaram a confiança de investidores e analistas e, descontados, conseguiram registrar sólidos ganhos durante o ano. 


Cia. Hering (HGTX3+22,30% em 2011)
Começar a carreira jogando em um time de futebol de várzea e chegar ao Real Madrid. Essa história pode muito bem ser a metáfora para as ações da varejista Cia. Hering. Nos últimos três anos, o ativo acumula valorização de 1241,16%. Assim, a empresa retorna aos destaques anuais da InfoMoney, ainda mais fortalecida do que na última vez.

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Após abandonar o “status” de mico nos últimos anos, a Hering ingressou no Ibovespa em setembro e termina o ano com sólida alta de 22,30%. E mais impressionante do que isso, em 2011 foi a única grande varejista, ao lado da Restoque (LLIS3), a apresentar alta. Um feito interessante, se levar em conta que o consumo e o próprio setor foram prejudicados pelos temores acerca da crise europeia e seus futuros impactos na economia do Brasil. 

Mesmo com toda a valorização dos últimos anos, a empresa ainda é apontada como uma das favoritas por analistas no setor de consumo e tem apresentado resultados cada vez mais positivos. Destaque dos últimos anos, será a Hering capaz de voltar a mostrar desempenho positivo no futuro?


TIM (TIMP3+39,00% em 2011)
Em um cenário de crise, o natural era que ações de setores mais resilientes, como energia e telecomunicações, se destacassem – o que de fato ocorreu. Mas algo foi especial nas ações da TIM, refletindo o bom desempenho da empresa no ano – que viu seus resultados melhorarem em uma velocidade superior à de seus principais concorrentes, assumindo a vice-liderança do competitivo setor de telefonia móvel.

Isso é fruto da estratégia agressiva da companhia, que tem buscado oferecer preços cada vez mais acessíveis ao consumidor e atingir regiões antes ignoradas pelas empresas do setor, como os subúrbios das grandes cidades nacionais. A empresa também previu investimentos de R$ 8,5 bilhões no Brasil durante o período de 2011-2013, para viabilizar esse crescimento. 

A empresa buscou melhorar sua infraestrutura ao longto do ano, quando comprou a AES Atimus, que permitiu a criação, já no final do ano, da TIM Fiber. A aquisição exigiu uma nova oferta de ações – que ajudou a capitalizar a empresa. Vale destacar também que a TIM migrou para o Novo Mercado em 2011, o que foi benéfico para os acionistas minoritários. 


MPX Energia (MPXE3+76,64 em 2011)
O homem mais rico do Brasil, Eike Batista, possui seis empresas listadas em bolsa, que seguem seus ensinamentos, sua filosofia, metódo de trabalho e a ousadia que o tornou um dos homens mais ricos do mundo. Contudo, estas companhias apresentaram resultados muito divergentes em 2011 – e nesse sentido, se destacaram os papéis da MPX Energia.

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A única empresa do multibilionário a alcançar alta na bolsa no ano, a MPX terminou 2011 com ganhos de 76,64%. A empresa mais líquida do grupo, a OGX Petróleo (OGXP3), terminou o ano com queda de 31,90%, enquanto o mercado espera o início de sua produção de petróleo

A MPX teve um bom ano de formação de base, no sentido em que foi capitalizada, através do BNDES e do mercado, para iniciar sua produção energética, obteve licenças ambientais e realizou vendas de energia em leilões promovidos pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Também registrou avanços em suas operações internacionais durante 2011, sobretudo na Colômbia, e realizou negócios importantes, como os contratos de comercialização de energia de dois projetos do Grupo Bertin.


Klabin (KLBN4+42,61% em 2011)
O setor de papel e celulose apresenta uma quantidade pequena de empresas. As três maiores, Klabin (KLBN4), Suzano (SUZB5) e Fibria (FIBR3), dominam boa parte do mercado. Seria natural que elas refletissem os mesmos drivers, as mesmas notícias e apresentassem resultados similares – sobretudo em época de crise. Essa teoria pode até ser verdade, ao menos para as últimas duas empresas listadas. Suzano e Fibria tiveram quedas de 52,57% e 47%, respectivamente, em 2011. Enquanto isso, a Klabin aferiu ganhos de 42,61% – a terceira maior valorização do Ibovespa no ano.

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E qual seria a razão para esse descolamento? Um dos fatores principais, seria a crise na Zona do Euro. Se no início do ano, o mercado apostava em Suzano e Fibria, com o tempo percebeu que essas duas, fortemente expostas ao cenário externo, inclusive na Europa, foram vítimas da desaceleração econômica que lá ocorreu, enfraquecendo o poder de colocação de preços e as exportações. Já a Klabin, por ser mais exposta ao mercado nacional, que performou melhor, conseguiu obter um 2011 melhor.

Mas não foi só isso que justificou o desempenho superior. A empresa também trabalhou para reduzir custos e aumentar a eficiência, e aos poucos foi ganhando a confiança e o favoritismo do mercado. E, utilizando emprestada a analogia de um dos maiores economistas do século XX, John Maynard Keynes, se a bolsa de valores realmente for um concurso de beleza, obter o favoritismo dos jurados, ou seja, os próprios investidores, é primordial para se obter valorização.


Mundial (MNDL4, +33,65% em 2011)
Imagine investir uma quantia de R$ 400 mil reais e em poucos meses depois, acumular em sua conta bancária R$ 7 milhões. Também imagine investir essa mesma quantidade de capital, e em três dias, contabilizar em sua conta a quantia de R$ 66 mil. Essa surpreendente valorização, e a subsequente queda das ações, ocorreram em 2011, e tiveram as ações da Mundial como protagonistas. 

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Os papéis iniciaram o ano de 2011 cotados a R$ 0,29, e terminaram a R$ 0,39 – uma valorização de 33,65%. Interessante, portanto, em um primeiro olhar. Foi, contudo, o ocorrido durante os meses de abril e julho que chamou a atenção e fez com que a ação se tornasse um destaque do ano. A empresa, após anunciar a reestruturação com o intuíto de chegar ao Nível I de governança corporativa da BM&F Bovespa, viu suas ações dispararem. 

Em poucos meses, os ativos haviam alcançado os R$ 5,11 no dia 19 de julho – uma impressionante valorização de 1.651% no acumulado anual até aquele dia. Essa movimentação havia chamado a atenção de uma parcela expressiva dos investidores na BM&F Bovespa, e por algum tempo, a ação chegou a se apresentar como a mais negociada na bolsa, com três vezes mais negócios que as principais blue-chips, Vale (VALE3; VALE5) e Petrobras (PETR3; PETR4), com volume similar à essas gigantes.

Três dias depois de alcançar o topo, a ação havia despencado desse patamar para R$ 0,85 – uma queda de 83,37%. Não atentos ao tipo de risco envolvido nesse tipo de operação, muitos investidores devem ter aferido prejuízos espetaculares. Outros provavelmente souberam a hora de realizar seus ganhos, e evitaram perdas astronômicas. A queda foi tão agressiva que cogitou-se que isso atrapalharia os planos de crescimento da BM&F Bovespa.

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Após esse movimento atípico, especialistas chegaram a afirmar que isso se devia a uma manipulação no mercado, levando a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a Polícia Federal a investigarem o ocorrido. E do topo, precisamente do patamar dos R$ 5,11, esses papéis acabaram parando na pagina policial. 

Confira o gráfico anual de MNDL4: 

(clique para ampliar)


B2W Varejo (BTOW3, -71,06% em 2011)
Após recuar 35,39% em 2010, as ações da B2W voltaram aos destaques de baixa da InfoMoney em 2011 – com uma queda ainda maior, de 71,06%. A empresa, que assumiu o posto de maior queda do Ibovespa, apresentou resultados ruins por todo o ano, com prejuízo líquido em todos os balanços divulgados no ano de 2011.

O braço online da Lojas Americanas (LAME4), também passou por rumores de fechamento de capital – e incorporação completa por parte de sua controladora. Contudo, optou por fazer uma capitalização, em março, levantando cerca de R$ 1 bilhão.

Essa quantia deverá ser utilizada para melhorias no processo logístico da B2W, uma vez que a empresa possui vários problemas desde as festas de final de ano de 2010, e uma sequência de atrasos, que geraram notificações judiciais e fizeram com que alguns dos sites do grupo varejista online fossem suspensos, proibindo-os de realizar novas vendas. 


Gafisa (GFSA3-64,94% em 2011)
2011 não foi um bom ano para as construtoras. As maiores do setor, PDG Realty (PDGR3), Cyrela (CYRE3), Rossi Residencial (RSID3), Gafisa e MRV Engenharia (MRVE3), registraram fortes quedas. Foi, porém, a Gafisa que mais se destacou, ao obter a terceira maior queda do ano entre os papéis que compõem o índice Bovespa, superando seus pares. Boa parte desse movimentou acompanhou a perspectiva negativa para o setor – um dos que mais sofrem quando se começa a falar em retração de crédito -, e outra boa parte, sobretudo nos últimos meses do ano, ao cenário corporativo da própria empresa. 

A Gafisa divulgou resultados decepcionantes no 3º trimestre e anunciou mudanças na sua estratégia de gestão, o que provocou a redução no guidance de lançamentos. Além disso, a empresa enfrenta problemas com a Tenda, sua subsidiária adquirida em 2008 para atingir as camadas mais humildes da população. A construtora chegou a cancelar as obras da Tenda, prometendo devolver o dinheiro investido aos seus clientes. Para combater seu alto endividamento, a imobiliária teve de fazer captações através de notas promissórias, o que também não agradou o mercado. 


Hypermarcas (HYPE3-62,06% em 2011)
Em 2009, a Hypermarcas era uma empresa em franca expansão. Aquisições faziam parte de sua rotina e todos os números cresciam exponencialmente. No término daquele ano, a companhia havia registrado impressionante ganhos de 200,3%. Dois anos depois, começa a venda de parte dos ativos adquiridos em outros tempos, uma mudança de estratégica de grandes dimensões. 

A situação deste ano já havia começado a se desenhar em 2010, que já havia sido mais tímido, com ganhos de apenas 12,65%, e uma política menos agressiva de aquisições no decorrer do ano. Já no começo de 2011, o JP Morgan havia rebaixado sua recomendação para as ações da empresa, avaliando margens piores ao longo do ano.

Mas foi com a nova política comercial, implementada em maio, que veio o golpe final, mais precisamente no dia 9 daquele mês – quando as ações cairam 10,56%. A empresa decidiu focar na consolidação dos ativos adquiridos, de forma a obter sinergias entre eles. 

Os resultados não melhoravam e a Hypermarcas reduziu seu guidance para o ano, fato que também desagradou o mercado. Em busca de melhorias, a empresa passou a vender parte de seus ativos, para concentrar-se nos mais rentáveis. A estratégia, ainda nova, é vista positivamente por analistas do mercado.


Siderúrgicas (USIM3, -19,30%, USIM5-46,63%, GGBR4, -34,63%, CSNA3, -40,75% em 2011)
A escolha do Brasil como país sede de dois grandes eventos esportivos nessa década certamente chamou a atenção para o setor siderúrgico. A expectativa de grandes obras, construções de estádios grandiosos, novos terminais aeroportuários, prédios, também geraram a esperança de um consumo de aço cada vez maior. E a pouco mais de dois anos para a realização do primeiro desses eventos, a Copa do Mundo de 2014, o que se vê são obras atrasadas e o consumo de aço praticamente estável.

Soma-se a isso a expectativa de desaceleração da economia chinesa e o câmbio extremamente valorizado, que tornou a importação ainda mais atrativa do que a produção, um prato cheio para que as ações das siderúrgicas tivessem um ano ruim na bolsa.

Assim, o setor passou a depender cada vez mais dos segmentos de mineração, produto agora exportado por essas empresas. A CSN, por exemplo, teve 66% da geração operacional de caixa proveniente da venda de minério de ferro no terceiro trimestre. A empresam ao lado da Usiminas, foi protagonista de um dos maiores eventos do segmento em 2011.

Por boa parte do ano, as ações USIM3, as ordinárias da siderúrgica mineira, tiveram desempenho positivo, enquanto as preferenciais classe A recuavam mais de 30%. Isso se devia às especulações de que a CSN estaria interessada em comprar um espaço no Conselho da Usiminas. De fato, a empresa adquiriu uma grande quantidade de ações da siderúrgica mineira. Cada movimentação desse tipo afetava negativamente os papéis CSNA3, uma vez que os investidores temiam que a empresa pagasse muito caro para isso. 

Por fim, no final do ano, o suspense acabou. A Ternium, e não a CSN, anunciou sua entrada no grupo controlador, após fechar acordo com Votorantim e Camargo Corrêa, comprando 27,7% do capital votante da siderúrgica mineira por R$ 4,1 bilhões.