Rendimentos sobre títulos públicos da França e Espanha atingem novos recordes

Movimento reflete receio sobre o contágio da crise da dívida e vem antes da emissão de bônus dos dois países ainda nesta jornada

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SÃO PAULO – O rendimento dos títulos públicos de dez anos da França e da Espanha dispara nesta quinta-feira (17) e atinge novos recordes desde a criação da Zona do Euro. O movimento reflete a preocupação dos investidores sobre o contágio da crise da dívida que ameaça a região e vem antes da emissão de bônus dos dois países ainda nesta jornada.

França e Espanha pretendem captar, juntos, € 12,2 bilhões no mercado primário de dívida. O governo espanhol leiloará até € 4 bilhões em bônus com vencimento em 2022, enquanto os franceses venderão até € 8,2 bilhões em títulos da dívida de curto e médio prazos.

O yield dos títulos públicos de dez anos da Espanha sobem 0,34 ponto percentual, para 6,73%. Esse é o nível de rendimento mais alto desde 1999. No caso dos papéis franceses, destaque para a diferença entre a taxa de títulos a dez anos do país em comparação com a Alemanha. O “spread”, a diferença entre as taxas, superou 2 pontos percentuais pela primeira vez na eura do euro.

Na véspera, o BCE (Banco Central Europeu) agiu no mercado secundário de dívida, o que tirou certa pressão sobre os títulos do governo italiano e espanhol. Segundo agências internacionais, a autoridade monetária teria atuado novamente nesta quinta-feira, comprando papéis da Itália. Entretanto, a medida parece não ter tido o mesmo efeito de um dia antes, uma vez que o rendimento dos bônus italianos voltou a superar a barreira psicológica dos 7%.

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, sendo que a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.

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Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:

País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 28,86% +0,21 p.p. +27,09
Portugal 11,30% +0,00 p.p. +9,53
Itália 7,11% +0,11 p.p. +5,34
Espanha 6,73% +0,32 p.p. +4,96
França 3,79% +0,08 p.p. +2,02
Alemanha 1,77% -0,04 p.p. –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg