Ibovespa abre em queda refletindo temores com economia global

Indicadores econômicos de EUA, Zona do Euro e China decepcionam e suscitam incertezas acerca de deterioração econômica mundial

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SÃO PAULO – O Ibovespa segue o comportamento das bolsas mundiais nesta quarta-feira (23) e inicia suas operações em queda de 1,02%, aos 55.309 pontos, por conta da apreensão do mercado com a deterioração econômica global, deflagrada após a divulgação de indicadores econômicos decepcionantes nos EUA, Zona do Euro e China.

Os temores foram intensificados depois de os Estados Unidos revisarem seu PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, de 2,5% para 2,0% anualizado na véspera, a divulgação do PMI (Purchasing Managers’ Index) da Zona do Euro, o qual demonstra que o bloco continua em contração da atividade industrial e do mesmo indicador para a China, medido pelo HSBC, registrar o menor nível desde março de 2009.

Para Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, esses dados tendem “a pesar nas perspectivas de uma recessão global, fazendo com que os investidores aumentem ainda mais suas posições defensivas nos mercados internacionais e locais”. Já Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, lembra outro fator que pode pressionar os mercados nesta data, o teste de estresse do Federal Reserve nos EUA, que vai demonstrar a exposição à dívida europeia.

Ainda no velho continente, a Alemanha não conseguiu vender todos os papéis soberanos em um leilão realizado pela manhã. O objetivo era captar € 6 bilhões, mas o Tesouro do país recebeu ofertas que chegaram a apenas € 3,89 bilhões.

Ações
Entre as maiores desvalorizações do Ibovespa nesta sessão, destaque para as ações da TAM (TAMM4, R$ 32,42, -2,41%), Gafisa (GFSA3, R$ 5,16, -2,27%), PDG Realty (PDGR3, R$ 6,12, -2,24%), Fibria (FIBR3, R$ 13,03, -2,18%) e Cyrela (CYRE3, R$ 13,36, -2,12%). 

Possível correção
O analista gráfico da Gradual Investimentos, Régis Chinchila, acredita que o Ibovespa demonstre “algum sinal de repique” nesta sessão, voltando a operar acima de 57.300 pontos e 58.600 pontos. “Ao fechar novamente em baixa na sessão anterior, o índice perdeu um suporte importante em 56.100 pontos, confirmando a pressão na venda no curto prazo. Os próximos apoios estão em 55 mil e 53.200 pontos”. O diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, compartilha da mesma opinião ao avaliar que “considerando as fortes baixas dos últimos dias, a bolsa de valores brasileira poderá registrar ligeira alta no pregão de hoje”.

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Agenda do investidor
Para esta quarta, os investidores aguardam uma série de indicadores norte-americanos que devem ser comunicados por volta das 11h30. Entre eles, figuram relatórios de renda pessoal, os pedidos de bens duráveis à indústria e o PCE (Personal Consumption Expenditures), índice acompanhado como inflação pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano). Por fim, as solicitações de auxílio desemprego também serão conhecidas.

No Brasil, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) da primeira quinzena de novembro, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), registrou avanço de 6,69% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central de 6,5%.