Publicidade
SÃO PAULO – Os acontecimentos recentes têm moldado as perspectivas para a política monetária, a atividade econômica e a inflação no Brasil, pontuam os consultores da LCA ao analisar a deterioração do cenário econômico interno e externo, marcado pela elevada volatilidade. “A lenta piora do cenário internacional, o principal determinante da mudança nas perspectivas para a política monetária no Brasil, tem continuado”.
Embora o Banco Central tenha destacado em seu último Relatório Trimestral de Inflação que os determinantes domésticos também melhoraram, a contribuição da crise internacional, na análise dos consultores é predominante, uma vez que o panorama alternativo de crise externa contamina o cenário básico, aumentando a percepção de risco e derrubando as perspectivas de crescimento, inclusive do Brasil.
Sendo assim, aumenta o risco do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ficar mais próximo de 3%, assim como crescem as principais medidas de risco de contraparte da Europa. Neste contexto, a inflação tende a ser menor no decorrer do próximo ano, “em função da perda de dinamismo da atividade econômica”, avaliam os consultores.
Cenário externo ruim, queda da Selic
De acordo com consultoria, a confirmação de um quadro internacional “ruim”, como vislumbra o Banco Central, sugere a continuidade da trajetória de queda do juro básico, uma vez que nem o Relatório de Inflação trouxe uma indicação clara que de que o BC pretende intensificar o ritmo no corte de juro. “Portanto, hoje o cenário mais provável é de manutenção do ritmo em 50 pontos”.
Para a consultoria, a intenção do governo de “aproveitar” a crise para levar a taxa de juro a um patamar mais condizente com as condições macroeconômicas do País permite ao Copom (Comitê de Política Monetária) ver pequenos indícios de agravamento do cenário externo.
Diante disso, os consultores acreditam que também aumentam a probabilidade de um corte de 75 pontos na Selic . “Se, mais à frente, a aposta do BC resultar em acúmulo de pressões inflacionárias, antes de tornar a elevar a Selic, o BC provavelmente preferirá usar o compulsório como forma de apertar a política monetária”.