Para Technos, força da marca ajuda a absorver os impactos da volatilidade do dólar

Custos dolarizados e concorrência fazem com que a empresa enfrente um dilema; companhia planeja expansão das marcas

Publicidade

SÃO PAULO – A Technos (TECN3) abriu capital na BM&F Bovespa em junho. A empresa é líder no mercado de relógios brasileiros e, além de buscar o crescimento orgânico dentro do segmento, planeja entrar em novas categorias de produto, como óculos de sol e joias. O presidente da Technos, Joaquim Ribeiro, em entrevista ao podcast da Rio Bravo, fala dos planos de expansão da empresa e dos impactos cambiais da valorização do dólar.

A companhia identifica um bom espaço para ocupar com a consolidação do mercado de relógios brasileiro. “Nós temos hoje cerca de 30% de market share no mercado de relógios produzidos na Zona Franca, e a gente acredita que é possível ganhar espaço no mercado via o crescimento orgânico das nossas próprias marcas”, diz o presidente da marca.

Ribeiro também aposta em licenciamentos e aquisições de novas marcas para complementar o portfólio. Novas categorias, como óculos ou joias, também são considerados alternativas interessantes para o futuro da companhia, “por essa sinergia com o canal de distribuição”.

Continua depois da publicidade

O dilema do dólar
A empresa vive um dilema para entender os efeitos da valorização do dólar em seu balanço. A totalidade das peças para a montagem dos relógios é importada da China, com custos dolarizados, o que aumenta o preço do produto final. “Por outro lado, a gente tem uma posição relativa, do ponto de vista competitivo, melhorada à medida em que o dólar é reprecificado”, afirma Ribeiro. A alta da divisa norte-americana permite que os principais concorrentes internacionais percam atratividade.

O principal diferencial competitivo está ligado à força das marcas da empresa, capazes de absorver boa parte dos efeitos do câmbio.”Temos marcas fortes, marcas líderes de mercado e que o nosso ‘price premium’ consegue absorver, se não toda, grande parte do impacto de volatilidades marginais do dólar”, segundo Ribeiro.

A empresa também precisa atentar-se para a valorização da moeda chinesa e para a pressão na cadeia de fornecimento. Na China, a inflação de custos, principalmente custos de trabalho, pesam sobre a atratividade dos produtos. ” A Technos tem uma escala suficientemente grande para ter um poder de barganha relevante com nossos parceiros chineses”, argumenta o presidente.

Continua depois da publicidade

Empresa prevê “crescimento relevante” nos próximos anos
Depois de dois anos de bonança no setor brasileiro de consumo, o varejo dá sinais de desaquecimento. Com isso, a empresa acaba afetada pela volatilidade, como um reflexo do panorama do setor como um todo. Ainda assim, os executivos da companhia esperam que o consumo local continue forte, principalmente entre as classes B e C. “A gente ainda vislumbra nos próximos dois ou três anos um crescimento relevante”, afirma Ribeiro.