Entrevista: Romi só vê retomada com avanço do PIB e dólar acima de R$ 1,75

Contudo, mercado é incerto uma vez que turbulência internacional pode impactar as perspectivas de crescimento doméstico

Publicidade

SÃO PAULO – A redução da taxa de juros e a depreciação do real podem estimular o investimento em máquinas no mercado doméstico, o que dá certo otimismo à Indústrias Romi (ROMI3), de acordo com o diretor de Relações com Investidores da companhia, Cassiano Rosolen que falou com exclusividade ao InfoMoney nesta quarta-feira (26).

Para o executivo, essa retomada será lenta e só será possível se o dólar permanecer num patamar acima de R$ 1,75 e R$ 1,80 e, principalmente, se a economia nacional mostrar expansão.

“Precisamos de crescimento para vender nossas máquinas e de uma moeda com nível melhor para que possamos manter nossas margens de diferencial competitivo”, afirmou Rosolen.

Continua depois da publicidade

Por outro lado, ele destaca que o cenário no mercado de bens de capital é incerto, uma vez que a turbulência na economia internacional pode impactar as perspectivas de crescimento nacional. “O investimento pode ser prejudicado se o Brasil não crescer e a crise chegar com mais força ao País”, destaca.

Resultados trimestrais
No terceiro trimestre do ano, o lucro líquido da empresa recuou 65,7% na base anual, ficando em R$ 25,302 milhões. A queda também afetou o Ebitda (geração operacional de caixa), que caiu 67% frente ao mesmo período de 2010, para R$ 30,518 milhões; e a receita líquida, que ficou em R$ 138,742 milhões, retração de 1,2%.

Rosolen avalia que o desempenho seguiu os resultados vistos ao longo de 2011, os quais foram impactados pelo arrefecimento da formação bruta de capital fixo no País e pela concorrência mais acirrada dos produtos importados, o que pressionou os preços e apertou as margens de rentabilidade da empresa. “Com o câmbio voltando esperamos uma recuperação”, ressalta.

Continua depois da publicidade

Mercado externo
Com a crise, a Europa tem perdido espaço nas vendas da companhia no mercado externo. No terceiro trimestre continente respondeu por 51,1% das exportações da Romi, contra 56,4% de 2010. “A participação do continente na receita da Romi enfraqueceu, levando em conta que estamos crescendo no mercado externo em 2011 na comparação com 2010”, pontua Rosolen.

Em contrapartida, o executivo nota que a América Latina vem ganhando importância nas vendas externas da empresa, principalmente em países como Argentina, onde os setores automotivo e agrícola são os principais demandantes de máquinas. A região passou a representar 19,7% ao final do terceiro trimestre, ante 11% do ano anterior.

Nos Estados Unidos, a participação passou de 32,6% no calendário passado para 29,2% agora.