Combustíveis: Governo procura solução para o aumento do preço do álcool

Uma das opções é negociar com os produtores um limite para o preço do produto, cada vez mais procurado devido aos carros flex

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SÃO PAULO – Com a crescente popularização dos veículos flexíveis ou bicombustíveis (que podem ser abastecidos com gasolina ou álcool), o consumo e produção do álcool, bem mais barato que a gasolina, vêm aumentando a passos largos.

Por este motivo, aliado ao aumento nas exportações do produto, está ocorrendo uma alta no preço do combustível, que também é afetado pelo período de entressafra da cana-de-açúcar. Pensando em solucionar o problema, o Governo procura uma medida que contenha os preços, minimize os prejuízos aos consumidores e não ponha o abastecimento em risco.

Solução temporária

Uma nova safra de cana-de-açúcar chegará ao mercado em abril, baixando em torno de 30% o preço do álcool, por isso, qualquer medida tomada pelo Governo neste momento será provisória.

Uma das opções é negociar com os produtores a fixação de um limite para o preço do produto. Outra possibilidade é reduzir o percentual (de 25% para 20%) de mistura do álcool anidro na gasolina, o que aumentaria a oferta de álcool no mercado. Porém, isso poderia causar uma elevação no valor da gasolina.

O diretor de Álcool e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan, em entrevista ao Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo, afirmou que não considera abusivos os preços cobrados nas usinas de álcool. “Se considerarmos que o custo de produção fica entre R$ 0,75 e R$ 0,80 por litro, não há exagero em cobrar de R$ 1 a R$ 1,10”.

No entanto, o preço que o consumidor final paga na bomba embute outros custos, como por exemplo, o lucro dos revendedores e os impostos estaduais.

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Produção de cana

O volume nacional de cana-de-açúcar, referente à safra 2005-2006, registrou recorde histórico, com 436,8 milhões de toneladas produzidas. O crescimento é de 5,1% em relação à safra anterior, divulgou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quarta-feira (04).

Do total colhido, 49,95% foi destinado à fabricação de açúcar e 40,84% da produção de cana foi usada para a fabricação de álcool anidro (usado na mistura na gasolina), hidratado (direto no tanque) e comum.

Na comparação entre as duas últimas safras, a produção de álcool cresceu 11,8%, enquanto a de açúcar aumentou 0,3%. Os números são explicados pela crescente produção nacional de carros bicombustíveis e pelo aumento da venda ao mercado externo.