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SÃO PAULO -“A América é viciada em petróleo”, declarou, em tom reprovatório, o presidente dos EUA, George W. Bush, em janeiro deste ano.
As preocupações em relação a constatação giram em torno de três pontos principais: os altos preços dos derivados, já que se trata de uma fonte não renovável de energia; a agressão ao meio ambiente, como a emissão de gases de efeito estufa que causam o superaquecimento da terra; e a dependência de países instáveis, já que a lista da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) inclui nações que estão constantemente envolvidas em conflitos.
Esses problemas, somados, pressionam a economia dos EUA. Aliás, não só deles, mas de muitos outros países no mundo. Assim, tem sido cada vez mais intensa a busca e o desenvolvimento de fontes alternativas de energia.
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Etanol brasileiro
No Brasil, a mais famosa é o álcool, usado há cerca de três décadas, desde quando o governo decidiu aproveitar a abundância de cana de açúcar para produzir o etanol.
Atualmente, o país produz uma quantidade de etanol equivalente a 300 mil barris de petróleo por dia, a partir da cana cultivada em seu próprio território, o suficiente para suprir metade da demanda nacional por combustível.
Em seu discurso, o presidente norte-americano apontou o etanol como uma das possíveis soluções para os problemas do petróleo. Apesar de já conhecida e usada, a tecnologia não se espalhou ainda de maneira satisfatória.
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Enquanto todos os postos de combustíveis das regiões metropolitanas devem, segundo exigem as autoridades, oferecer gasolina com E10 – solução que contém 10% de etanol e 90% de gasolina -, apenas 630 postos dos 170 mil existentes vende E85, com álcool na proporção de 85% para 15%.
Barreiras
Os EUA enfrentam, porém, obstáculos na utilização do etanol. Um deles é a queda do desempenho do carro, quando usado este combustível: modelos de veículos flex de até 2002 mostraram rodar 30% menos com álcool do que com gasolina. Automóveis mais novos já diminuíram essa diferença para algo entre 10% e 15%.
Outro problema é ligado à produção. Por lá, a matéria-prima orgânica mais usada para a produção do álcool é o milho. No entanto, os custos de produção do etanol são muito altos e, muitas vezes, a relação custo-benefício em termos de energia (quanto precisa para produzir o combustível e quanto ele irá gerar) não viabiliza a fabricação.
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Além disso, para atender à alta demanda nacional e substituir de vez os derivados de petróleo nos carros, a extensão da área de cultivo de milho teria de ser absurda: cerca de 97% do território nacional.
Biomassa e outras alternativas
No entanto, o milho não é a única opção. Estudos mostram que a biomassa, ou o chamado lixo orgânico (restos de plantas, serragem e polpa de papel), também pode ser processado e resultar em álcool.
Como já existem pelo menos um bilhão de toneladas de biomassa disponíveis apenas nos EUA, os gastos com cultivo da matéria-prima e terras para produção já são cortados. O processo de conversão desse material para o etanol, porém, ainda é considerado caro.
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Segundo Bush prometeu, haverá um aumento dos subsídios para o desenvolvimento de métodos que reduzam os custos de produção de etanol para que, dentro de seis anos, novas formas de álcool já estejam no mercado.
Assim, apesar de todos os contras, os chamados biocombustíveis parecem ser uma das melhores soluções para a escassez do petróleo e os problemas ambientais e econômicos relacionados, juntamente com as opções de células-combustíveis e os carros elétricos.