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SÃO PAULO – Os indicadores econômicos norte-americanos mais recentes, como emprego e confiança do consumidor, sinalizam que planos de estímulo podem ser realmente necessários para a recuperar a economia externa. O governo dos Estados Unidos prometeu reação, o Comitê de Política Monetária brasileiro foi rápido e cortou a taxa básica de juros. Com novas esperanças, o Ibovespa chegou à sua melhor semana desde julho de 2010. No período entre 5 a 9 de setembro, fica mais forte a expectativa pelo anúncio de novos planos de estímulo econômico nos Estados Unidos, mas o desempenho do índice brasileiro divide estrategistas.
“A semana começa morna e pega ritmo ao final”, avalia o estrategista-chefe da CM Capital Market, Luciano Rostagno. Segunda-feira tende a ser um pregão de baixa liquidez e próximo à estabilidade, já que o volume da bolsa local cai por conta do feriado nos Estados Unidos. Na terça, os dados de inflação – IGP-DI e IPCA – são os mais relevantes. Na quinta-feira, é a vez de retomar as movimentações após o feriado nacional, acompanhar a ata do Copom e também os pronunciamentos do presidente norte-americano Barack Obama e do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke.
Obama irá apresentar um plano de recuperação econômica, diante da Câmara de Representantes, que visa estimular a criação de empregos e reduzir o déficit público. Bernanke discursa no mesmo dia e tende a reforçar o cenário de pequeno crescimento e baixo emprego no país, avalia o gestor da Grau Gestão de Ativos, Flávio Barros.
Mercado busca explicações para queda da Selic
O Comitê de Política Monetária do Banco Central surpreendeu o consenso de mercado e reduziu a taxa básica de juros em 50 pontos base, para 12% ao ano. Mesmo que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff já tivessem sinalizado a intenção de ajustar para baixo o juro básico, vista a deterioração da economia internacional, não se esperava uma mudança de rumos na estratégia de política monetária do Banco Central em um intervalo tão curto.
A atitude da autarquia será justificada na ata publicada na quinta-feira (8). “Chama a atenção a mudança de rumos do Banco Central, de um posicionamento para conter a inflação para outro de estímulo ao crescimento. Foi uma coisa fora do comum. A queda da Selic assustou e o mercado está se ajustando e esperando por mais quedas na taxa de juros”, afirma Barros.
Tendências para a semana e para o mês
Em mais um período pautado por temores sobre o cenário internacional, as opiniões dos estrategistas dividem-se. Enquanto Rostagno acredita que “diante da perspectiva de um anúncio de um programa de estímulo ao emprego nos EUA e da ata do Copom, o Ibovespa possa engatar uma nova alta na semana, apesar da volatilidade esperada”, o gestor da Grau é mais pessimista. Barros espera que o Ibovespa devolva os ganhos e retorne ao patamar dos 54 mil pontos.
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Estendendo as previsões para o mês de setembro, as opiniões seguem o mesmo viés. Barros visualiza um período de acomodação após o ajuste da Selic, pautado principalmente pela reunião do Fomc. “O mercado pode melhorar caso o afrouxamento quantitativo venha, mas não deve se recuperar já em setembro”, afirma. Por outro lado, Rostagno sustenta que o corte da Selic, o novo plano de empregos apresentados por Obama e um a aprovação de novas medidas de estímulo pelo Fed podem sim sustentar um período positivo, embora a situação de crise de dívida na Europa ainda seja um fator de cautela no médio prazo.