Japão: abismo entre pobres e ricos cresce, ameaçando a classe média

Diferença de renda entre aposentados e a questão do trabalho informal são algumas facetas do problema

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SÃO PAULO – A distribuição desigual de renda está se tornando um sério problema no Japão. O abismo entre pobres e ricos cresce cada vez mais e a classe média, que chegou a ser a maioria da população, está se reduzindo significativamente.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a desigualdade cresceu duas vezes mais no Japão em relação aos outros países ricos no período entre a metade dos anos 80 e o ano 2000.

Além disso, os 10% dos japoneses homens que ganham mais têm renda em média 3,2 vezes maior que os 10% que ganham menos, proporção maior que a média de 2,6%, que havia ficado estável no fim dos anos 90.

A culpa é de quem?

A situação, que está dividindo o país entre os chamados vencedores e perdedores da economia, está preocupando o governo. Analistas especulam que a carga tribuitária sobre a renda possa ser elevada para aumentar os fundos para programas sociais.

A oposição culpa as reformas promovidas pelo primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, pela desigualdade. Outro motivo citado por alguns é o envelhecimento da população, já que a tendência é haver bastante diferença nos valores das pensões dos idosos.

As várias facetas do problema

Outro grupo que contribui para o quadro são os freeters (junção de free, do inglês, que significa livre, e arbeit, do alemão, que é trabalhador), os trabalhadores irregulares, que fazem bicos ou trabalham meio-período, fenômeno que teve início na má fase econômica do país nos anos 90. Esse tipo de funcionário recebe um salário em média 40% menor por hora em relação aos formais.

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Atualmente, quem começou como freeter já está chegando aos 30 anos e não consegue lugar no mercado formal de trabalho, já que não são vistos como empregados estáveis, mas como candidatos que demandariam esforço e disciplina, e perdem espaço para os recém-formados.

Para finalizar, também chama a atenção o grupo dos pais solteiros. A maioria são mulheres que, após se divorciarem, precisaram procurar um emprego qualquer para se sustentar. Para se ter uma idéia da dimensão, mais da metade deles vive com menos da metade da renda média do país, o que é considerado “pobreza relativa”.