Veja 10 motivos para comprar ou vender ações do setor siderúrgico

Pressão cambial, perda de competitividade, medidas do governo e estoques inchados são vetores apontados por analistas

Publicidade

SÃO PAULO – O setor siderúrgico vem passando por momentos conturbados. Em 2009, a produção emitiu sinais de recuperação, devido, principalmente ao setor automobilístico, No entanto, apesar da tendência para anos melhores em 2010 e 2011, com crescimento de atividade econômica do País e melhoria nos níveis de demanda, essa retomada não ocorreu.

O setor siderúrgico perde competitividade, pois não consegue acompanhar os preços dos produtos importados, que devido a valorização do real frente ao dólar entram em maior quantidade no mercado nacional. Dados do Instituto Aço Brasil indicam que o setor prevê investimentos de US$ 30, 7 bilhões até 2016 no parque siderúrgico existente no País, o que significa aumento na capacidade de produção nacional de R$ 12,1 milhões por ano.

Sem perspectivas de recuperação no curto prazo, as principais empresas representantes do setor no mercado nacional, Gerdau (GGBR3), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM3, USIM5), têm suas projeções revistas por analistas do mercado, que também, apontam motivos para comprar e vender ações dessas companhias. Confira:

1 – Comprar: importância do setor para a cadeia produtiva
O diretor técnico da Geral Investimentos, Ivanor Torres, destaca a importância do setor siderúrgico para a cadeia produtiva nacional, em eventos de diferentes segmentos, devendo retomar as margens no médio e longo prazo. “A expectativa de demanda, com grandes investimentos em infraestrutura para os próximos anos deve alavancar as margens do setor”, disse.

2 – Vender: perda de competitividade
As companhias brasileiras vêm sofrendo com a perda competitividade do setor, principalmente devido ao crescimento do mercado chinês, que realizou investimentos. O analista da Amaril Franklin, Eduardo Machado, destaca que as companhias são pressionadas pelo reajuste, principalmente de insumos e de minérios, com repasse dos custos para o cliente. “A competitividade com o aço importado é desigual”, destaca. A valorização do real também contribui para essa desigualdade.

3 – Comprar: crescimento da economia brasileira
O cenário interno atual é propício para investimentos em empresas brasileiras. De acordo com o analista de investimentos da Pax Corretora, Vitor Leitão, o cenário interno e a economia brasileira robusta, com crescimento constante em torno de 4,5% ao ano, “tem muito espaço para siderurgia”.

Continua depois da publicidade

4 – Comprar: medidas do governo
As medidas anunciadas pelo governo, para estimular e beneficiar o setor no longo prazo, são vistas pelo analista da Amaril Franklin como positivas para as siderúrgicas, que vêm perdendo competitividade. Segundo ele, isso pode estimular um aumento nos investimentos para alavancar as vendas do setor, do produto nacional.

5 – Vender: estoques inchados, baixa valorização
Devido aos altos estoques das companhias, as empresas compram aço de fora, o que torna a valorização do produto nacional baixa. Segundo Machado, desde a crise de 2008, houve uma retração econômica na Europa e nos Estados Unidos e grande parte das companhias, principalmente as chinesas, começaram a ficar estocadas. O parque fabril da China é muito grande, com mão de obra barata e logística eficiente, fato que pode ser prejudicial para a indústria nacional.

6 – Vender: falta de perspectivas para o curto e médio prazo
“Não vejo valorização destes papéis ao longo deste semestre”, diz Machado. Segundo ele, o motivo da desvalorização do papel é histórico, não é uma jogada de mercado de compra e venda, não há previsão de valorização para os papéis do setor no curto e médio prazo.

Continua depois da publicidade

7 – Comprar: melhores margens da empresas
O analista da Link Investimentos, Leonardo Alves, destaca que houve uma mudança de realidade no mercado de aço no Brasil. Atualmente com baixo desempenho da siderurgia no mundo inteiro e a alta capacidade ociosa, a importação cresceu bastante mudando a realidade brasileira que era entre 20 e 40% de margens e passou a partir de 2008 a trabalhar com margens de 10% a 15%.

8 – Comprar: eventos de infraestrutrura
O País tem muito espaço para siderurgia, principalmente com as grandes obras de infraestrutura para os próximos anos. “Belo Monte, Copa do Mundo e Olimpíadas, são obras que vão demandar material siderúrgico”, destaca Leitão. Embora, a Gerdau tenha participação externa, internamente ela é forte em construção civil e com estes eventos ainda tem espaço para crescer.

9 – Compra: especulação do setor
Embora o setor tenha apresentado quedas nos últimos anos, o mercado é muito ágil. “Acredito que houve muito exagero e especulação no setor”, afirma Torres. Segundo ele, o mercado de aluguel de ações tem pressionado os papéis para baixo, o que compromete o desempenho da ação e não tem nada a ver com a empresa. O diretor técnico destaca que as empresas tiveram perdas de margens, porém nada que comprometa o futuro das companhias.

Continua depois da publicidade

10 – Comprar: reestruturação do setor
“O setor siderúrgico no Brasil ficou entre as mineradoras e as montadoras e precisa sofrer uma reestruturação, que pode significar fusões de grandes empresas, podendo tornar o setor atrativo”, destaca Torres. De acordo com o diretor técnico, empresas como Gerdau, CSN e Usiminas estão muito bem capitalizadas e com perspectivas de comprar empresas. “Eventualmente a empresa pode ter uma perda de margem, mas se recompondo e se reestruturando para buscar futuramente esse diferencial”, concluiu.