Consumo em alta? Veja 10 motivos para comprar ou evitar ações do setor

Analistas ressaltam o momento do mercado interno, o que pode ser a solução para os investidores diante das incertezas externas

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SÃO PAULO – O censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010 apontou para uma população de 190.732.694 de residentes no País, das quais, mais da metade é da classe média – propulsionando o consumo nacional a altos níveis. A melhora gradual na renda do cidadão brasileiro e a queda constante nos níveis de desemprego colaboram para essa maior demanda no mercado interno.

E com boa parte do setor de consumo sendo composto por ações voltadas para essa faixa da população, como é o caso do Pão de Açúcar (PCAR4), Lojas Americanas (LAME4) e Lojas Renner (LREN3), ele se torna uma escolha para se aproveitar do fortalecido ambiente macroeconômico brasileiro.

As perspectivas positivas para o setor de consumo e varejo, aliado ainda ao cenário conturbado das economias internacionais – o que acaba tirando a atratividade de papéis mais expostos ao front externo – tornam essas empresas atrativas tanto pelos investidores experientes quanto para os iniciantes. Assim, o Portal InfoMoney lista 10 motivos para comprar, ou evitar, ações desse setor.

1) Crescente classe média
Um dos principais drivers para as ações do setor de consumo, nos últimos anos, tem sido o crescimento da classe média brasileira,. “O Brasil passa por uma mudança estrutural na sociedade, com um aumento muito grande da classe C”, afirmam os analistas Erick Rodrigues e Priscila Tambelli, analistas do setor de consumo do BB Investimentos.

Essa crescimento tem sido positivo para as empresas do setor. “Eles estão com um nível de renda maior e tem mais condição de consumir. E tem consumido”, lembram. Lucas Brendler, analista de investimentos da Geração Futuro, corrobora com essa opinião. “Houve uma ampliação da massa de consumo, que passaram a consumir produtos que antes não consumiam”, diz.

O aumento dessa população não tem alterado só as quantidades consumidas, mas também o tipo de produto consumido. “Eles consomem mais produtos de valor agregado, como televisores mais caros”, lembram os analistas do BB Investimentos. A mudança do padrão de comportamento também pode ser vista no tipo de lojas frequentadas, com essas pessoas passando a consumir produtos vistos como não-essenciais, como os cosmésticos da Natura (NATU3).

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2) Mercado interno fortalecido e externo enfraquecido
Outro ponto salientado pelos analistas é a confiança que eles possuem em relação ao Brasil. “A economia nacional tem mostrado mais robustez em relação as demais”, diz Brendler. Isso garante que o consumo permaneça em alta no País – fortalecendo o setor, enquanto outros têm se mostrado mais vulneráveis ao frágil cenário externo, com referências negativas tanto nos Estados Unidos, quanto na Europa.

Assim, o setor pode apresentar crescimento superior à outros mais sensíveis para o ocorre fora do País, como o de mineração. “Essa dependência dessas ações ao mercado interno é positiva, a base que foi construída, pode dar uma sustentabilidade ao consumo no País”, lembra a equipe do BB.

3) Desemprego está em baixa
O crescimento da classe média também foi acompanhada com outro fator: o baixo desemprego no País, que alcançou uma taxa de apenas 6,0% durante o mês de julho. “O desemprego está em nível bem baixo. E as pessoas possuem renda disponível para consumir.”, dizem Rodrigues e Priscila.

Assim, o aquecimento da economia brasileira é positivo para o consumo. “Deve permanecer assim, isso tem se mostrado assim nos últimos anos, com esse movimento do fortalecimento do mercado interno”, assegura Brendler.

4) Economia estável
A economia pode estar aquecida, mas ela não aparenta estar saindo dos trilhos, garantindo a estabilidade necessária para o planejamento de empresas e famílias, fator que fortalece o consumo de longo prazo. “Você tem um cenário mais tranquilo de longo prazo”, garante o analista da Geração Futuro. 

“Existe uma certa estabilidade no ambiente inflacionário”, garante Brendler. E de fato há, já que a inflação anualizada de 7,23% medida pelo IPCA (Indice de Preços ao Consumidor – Amplo) em agosto, embora tenha levantado alguns temores no governo, é muito menor do que em comparação a menos de 20 anos atrás, quando o índice de preços mostrou avanço perto dos 2.708% anuais. A inflação é um dos maiores perigos para o consumo, já que ela compromete a renda e mina o poder de compra.

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5) Expectativa de forte crescimento setorial
Os analistas lembram que esses fortalecimentos da economia brasileira não apenas deverão apenas sustentar o setor em um bom patamar. “O setor de varejo é diferenciado pela expectativa de crescimento muito grande”, lembram Rodrigues e Priscila. As expectativas para o setor brasileiro tendem a ser melhores do que as do exterior, fortalecendo empresas voltadas para esse mercado.

E de fato essa situação tem ocorrido, visto que algumas ações do setor apresentam crescimento muito superior à média do mercado nos últimos anos, como a Hering (HGTX3), que de 2009 até o fechamento de quinta-feira (8) já apresentou alta de 1.404,4%, enquanto o Ibovespa avançou 53,46% no mesmo período. “Setores que tem receitas que crescem mais estáveis podem ser menos voláteis, mas não deverão apresentar um crescimento tão grande”, afirmam os analistas do BB Investimentos.

6) Consolidação de sub-setores
Um setor tão grande e diversificado como o de consumo também apresenta chances pontuais. Uma delas está ligada à consolidação de sub-setores, como o farmacêutico, que vê a fusão de Droga Raia (RAIA3) e Drogasil (DROG3), bem como da Pacheco e Drogaria São Paulo. “Esses papéis deverão ter mais coisas para acontecer”, lembram Rodrigues e Priscila.

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O crescimento posterior à fusão também deverá ser impulsionado pela própria junção de negócios, o que fortalece a expansão dessas redes e, consequentemente, o aumento de preços das ações. “A consolidação pode gerar maior musculatura das empresas, que podem gerar mais investimentos, ganhos de market-share e isso se refletirá no preço do papel”, completam a equipe de análise do BB. 

7) Acesso facilitado ao crédito
Um aspecto-chave do consumo é a oferta de crédito para compras de produtos que às vezes não cabem nos orçamentos imediatos das famílias, o que tem melhorado internamente. “O consumidor nacional teve nos últimos anos um acesso muito mais facilitado em relação ao crédito”, diz Brendler.

Assim, fortalece-se a expectativa de resultados positivos para essas empresas. “Isso leva uma maior demanda por produtos, como vestuário, alimentação e outros de bens duráveis, como automóveis”, completa o analista. Soma-se a isso à cultura do consumidor brasileiro, mais flexível à compra de créditos. “O consumidor ainda olha mais o valor da parcela do que o juros.”, dizem Rodrigues e Priscila.

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8) Políticas governamentais
Outro fator que tem impulsionado, e deverá continuar a fortalecer, o crescimento do consumo no Brasil são as políticas adotadas pelo governo para tal. Além de reduções pontuais de impostos, como a isenção do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para eletrodomésticos e automóveis, que vigorou por algum tempo, este não tem feito uma tentativa draconiana de reduzir o crescimento do consumo no País, sobretudo entre as classes mais baixas.

“Há incentivos do governo para melhorar o consumo doméstico, como linhas de credito abertas pelo governo”, diz Brendler. Além disso, ele lembra que a guerra contra o aumento de preços têm sido posta de lado, em ordem de garantir o crescimento do País. “O Copom (Comitê de Política Monetária) reforçou a ideia de que se tenha uma inflação mais alta, aliando isso com o crescimento”, completa.

9) Setor volátil
Além disso, o investidor precisa temer a já referida volatilidade dos papéis, que tendem a apresentar uma movimentação mais brusca frente àqueles tidos como mais seguros. “Você têm no setor papéis mais voláteis que aqueles do setor elétrico, por exemplo”, diz a equipe do BB Investimentos. 

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Contudo, há ações que se apresentam como mais estáveis dentro do próprio setor. “Drogarias e produtos de cosméticos têm vendas mais estáveis, com crescimento próximo de 10%”, lembram Rodrigues e Priscila. A escolha, assim, passa a depender do perfil do investidor, que se vê disposto a apostar em uma ação com maiores oscilações, ou evitar esse tipo de papel.

10) Reversão do quadro econômico
Contudo, investir em ações não é um esporte seguro e é fadado há riscos e danos. Além disso, nenhum setor com boa perspectiva pode garantir com exatidão de um investimento bem sucedido. “Se houvesse um investimento 100% perfeito, ficaríamos todos ricos. Mas não há”, dizem os analistas do BB.

Com isso, o grande risco lembrado para se investir nesse tipo de ação é a deterioração do mercado brasileiro. “Há riscos inflacionários, e isso pode tirar o poder de compra do consumidor”, lembra Brendler. Por fim, ele também ressalta que mesmo com a força da economia brasileira, não estamos blindados contra uma crise ferrenha no exterior.

“Há reflexos que o cenário externo pode gerar, desaquecendo a economia brasileira e enfraquecendo o próprio mercado interno”, completa. Entender os rumos que a economia leva são decisivos para um tipo de investimento desses. Mas enquanto as peças atuais continuarem no tabuleiro, o fortalecimento do setor de consumo não deverá ser posto de lado.