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Em semana de feriados tanto nos EUA quanto no Brasil, os investidores voltaram suas atenções para os desdobramentos da crise na Zona do Euro e para o anúncio do presidente norte-americano, Barack Obama, sobre pacote de medidas para estimular a criação de empregos nos EUA. Com isso, o Ibovespa acumulou queda de 1,33% nos quatro pregões dessa semana, interrompendo uma sequência de duas semanas de alta, ficando nos 55.778 pontos.
As ações da Usiminas se destacaram na ponta positiva do Ibovespa durante a semana que se estendeu de 5 a 9 de setembro, acumulando a maior e a sexta maior alta entre todos os ativos que compõem o índice, refletindo os rumores de que a CSN estaria interessada em adquirir parte da siderúrgica mineira.
Já os papéis da Braskem recuaram 6,81% na semana, terminando como maior recuo entre as ações que compõem o índice. Essas ações haviam registrado forte alta nos últimos 18 meses, apresentando alta de 27,14% no período contra queda de 18,68% do benchmark durante o mesmo espaço de tempo, abrindo espaço para mais recuos.
Petro e Vale
As ações da Petrobras fecharam a semana no vermelho, enquanto os papéis da Vale fecharam o período em alta, em uma semana de fraco noticiário corporativo, tanto para a estatal, quanto para a mineradora.
Ata do Copom e corte de projeção do PIB
No começo da semana, os investidores digeriram as projeções do mercado compiladas pelo relatório Focus, as quais apontam para um reajuste da taxa Selic para 12,38% no final de 2011, além do aumento de 6,31% para 6,38% do IPCA e queda na expectativa anual do PIB, passando de 3,79% para 3,67% neste ano.
A ata da última reunião do Copom também foi divulgada nesta semana, a qual denotou a aposta em uma política fiscal mais restritiva e as perspectivas de ajuste para baixo da taxa Selic.
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Ainda por aqui, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em entrevista ao canal de notícias Globonews na última quinta-feira (8), revelou que o BaCen vai reduzir, no final do mês, sua previsão de crescimento da economia brasileira em 2011, que atualmente é de 4%.
Discurso de Obama não anima investidores
Na quarta-feira (7), o Livro Bege do Federal Reserve mostrou que a economia do país segue se recuperando em “ritmo moderado”. A análise trazida pelo documento espelha os mais recentes indicadores econômicos divulgados no país, os quais vieram bem abaixo do esperado, como o último Relatório de Emprego, que não mostrou a criação de vagas de trabalho em agosto, alimentando também as perspectivas de que o governo norte-americano deverá anunciar em breve um novo plano de estímulo à economia dos EUA.
Na expectativa para o discurso do presidente norte-americano, Barack Obama, sobre o novo pacote de estímulo ao mercado de trabalho do país, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, reiterou o compromisso da autoridade monetária em estimular a recuperação econômica, mas não anunciou nenhuma proposta específica ou deu sinais das medidas que podem ser adotadas.
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Fato mais esperado pelo mercado norte-americano na semana, o anúncio do pacote de US$ 447 bilhões para estimular a criação de empregos através de investimentos em infraestrutura, subsídios a governos estaduais e municipais e corte de impostos, na noite da de quinta-feira (8) pelo presidente norte-americano, Barack Obama, não animou os investidores, que mostram-se temoresos sobre a efetividade de tais medidas, além de continuarem preocupados acerca da recuperação econômica dos EUA.
O programa é uma tentativa de resolver os obstáculos estruturais ao crescimento e ao emprego, no entanto, há dúvidas sobre as chances do projeto de lei ser aprovado pelo Congresso, uma vez que boa parte dos republicanos se opõem ao pacote.
Europa continua a preocupar
Na terça-feira (6), o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäeuble, afirmou que a Grécia não receberia outra parcela de seu programa de resgate caso o relatório da visita dos supervisores internacionais não for positivo, enquanto o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, sinalizou a demora da Grécia em aplicar o plano de austeridade aprovado em julho.
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No começo da semana, a dúvida sobre a capacidade da Itália em entregar o pacote de austeridade prometido também ficou no radar do mercado, com sindicatos convocando uma greve geral conforme os parlamentares discutem medidas para reduzir a dívida pública do país.
Na quarta-feira (7), o Senado italiano aprovou um novo pacote de austeridade do governo de Silvio Berlusconi, com o intuito de reduzir o déficit do país em mais de € 54 bilhões ao longo de três anos.
O Banco Central Europeu exigiu medidas de austeridade duras após ter gastado bilhões no último mês com a compra de títulos do governo italiano para obter empréstimos a custos mais baixos e ajudá-lo a evitar que o país torne-se o próximo da Zona do Euro a precisar de ajuda internacional.
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Alemanha aprova nova ajuda à Grécia
O Tribunal Constitucional alemão autorizou, também na quarta-feira, a concessão de ajuda financeira de Alemanha à Grécia e à outros países endividados da Zona do Euro. Uma das exigências para a aprovação foi que o Parlamento participe diretamente na aprovação dos planos de resgate.
Além disso, a determinação do Tribunal Constitucional também concedeu ao Parlamento da Alemanha mais poder de decisão em futuros pacotes de ajuda com importâncias ainda maiores na Zona do Euro.
BCE mantém taxa de juros, mas reduz projeções
O BCE decidiu manter a taxa básica de juros em 1,5% ao ano, além de ter revisado para baixo as projeções de crescimento da Zona do Euro neste ano e em 2012.
FMI também corta estimativa de crescimento global
Enquanto isso, o FMI diminuiu novamente sua perspectiva de crescimento da economia global, segundo informaçõesi da agência de notícias italiana “Ansa”.
O Fundo espera que a economia mundial cresça 4,0%, frente às projeções anteriores de 4,2%, de acordo com a prévia do relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais”. Oficialmente, o FMI deverá divulgar o documento apenas em 20 de setembro.
Agenda econômica da semana
No Brasil, a FGV reportou que o IPC-S marcou taxa positiva de 0,74% na primeira medição de setembro, com seu maior resultado desde a terceira semana de maio de 2011, além de que o IGP-DI marcou inflação de 0,61% em agosto, frente uma variação positiva de 0,66 p.p. em relação a julho.
Enquanto isso, o IBGE revelou que o IPCA do mês de agosto apresentou resultado de 0,37%, aceleração de 0,21% em relação ao mês anterior, quando marcou taxa de 0,16%. Já o INPC apresentou variação de 0,42% no mesmo mês, 0,49% acima do apontado no mesmo período de 2010.
Nos EUA, o Initial Claims registrou um total de 414 mil novos pedidos na semana até 3 de setembro, frente às projeções que giravam em torno de 400 mil solicitações, enquanto o Consumer Credit revelou avanço ajustado sazonalmente de US$ 12 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano na passagem entre junho e julho, frente às projeções de avanço de US$ 5 bilhões.
Já o déficit na balança comercial norte-americana foi de US$ 44,8 bilhões no sétimo mês de 2011, frente às previsões de analistas de US$ 51,5 bilhões. Enquanto isso, o ISM Services ficou em 53,3 pontos na passagem de julho para agosto, resultado melhor do que as projeções de analistas, que estavam em torno de 51 pontos.
Ainda no front internacional, o PMI da China mostrou queda para o patamar de 50,6 pontos em agosto – ante os 53,5 pontos aferidos em julho -, mostrando desaceleração na atividade manufatureira do país.
Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial fechou cotado na venda a R$ 1,678 na venda nesta sexta-feira. A moeda norte-americana fechou a semana em alta de 2,63%.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os contratos fecharam em queda. O contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 11,38%, com queda de 0,40 ponto percentual na semana.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 136,71% de seu valor de face, queda de 0,444% na semana.
Já o indicador de risco-País fechou em alta de 18 pontos base, aos 226 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a segunda semana de setembro, o destaque na agenda norte-americana fica por conta das vendas do mercado varejista, produção industrial e índices de preços ao produtor e ao consumidor, além de dados sobre a produção industrial. Os investidores também contam com o Quadruple Witching.
No cenário doméstico, investidores devem prestar atenção aos indicadores sobre a inflação nacional e à pesquisa mensal do comércio.