Bolsas internacionais em alta, mas pregão pode ser de volatilidade

Mercados ignoram corte de rating soberano da Itália, de olho em reunião entre Grécia e Troika e o primeiro dia de encontro do Fomc

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SÃO PAULO – As pressões advindas da Europa continuam em foco, mas os mercados parecem ter ignorado tais questões, ao menos por ora, uma vez que nesta terça-feira (20) se inicia o primeiro dia de reuniões do Fomc (Federal Open Market Committee). Desta vez, os mercados se posicionam para reverter parte das perdas verificadas no pregão anterior.

Na quarta-feira (21) o comitê norte-americano apresentará a sua decisão sobre a taxa básica de juro, mas as atenções devem se centrar no possível anúncio de uma nova rodada de estímulo à economia norte-americana. As expectativas se iniciaram em agosto, quando o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou em discurso no simpósio anual de Jackson Hole que as discussões sobre incentivos teriam continuidade nesta reunião do Fomc.

Índices voláteis
No entanto, os problemas verificados no pregão anterior permanecem e, assim, o desempenho positivo dos índices acionários podem não se sustentar durante o pregão, alerta a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares. “Como até agora não surgiu nenhum movimento capaz de indicar ao menos uma possibilidade de melhora dos problemas, os mercados seguirão operando sob forte volatilidade e insegurança”, escreve em comentário diário.

Por outro lado, a Grécia classificou a conversa com representantes da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), ocorrida na véspera, como “produtiva”, ao passo que nenhuma decisão foi anunciada, já que as discussões terão continuidade nesta quarta-feira, durante a tarde.

Itália rebaixada
Além das incertezas grega, a Standard & Poor’s reitera a falta de clareza quanto à execução das propostas de austeridade fiscal da Itália, devido às diferenças políticas do Parlamento. Assim, a agência de classificação de risco cortou o rating da dívida soberana do país de A+ para A, com perspectiva negativa.

Tais questões externas se refletem por aqui, no Ibovespa, diz Tavares. “No Brasil, os sinais de resiliência da renda variável são importantes, mas, enquanto não houver uma melhora do cenário na Europa, os investidores não devem apostar firme na bolsa, impedindo movimentos consistentes”, reitera.

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Entre os indicadores domésticos, o foco dos investidores deverá se voltar para alguns dados inflacionários divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – Especial).