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SÃO PAULO – O preço da cesta básica do brasileiro teve um comportamento distinto ao longo de 2004, dependendo da localidade considerada. Esta é a conclusão da última Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) em dezesseis capitais do Brasil.
Segundo o levantamento, dez cidades apresentaram elevação de custo da cesta no ano passado, sendo que as três maiores altas foram registradas em Vitória (9,41%), Brasília (8,65%) e Goiânia (7,87%). Em contrapartida, em seis capitais houve queda nos preços, especialmente em Recife (-5,17%), Aracaju (-4,40%) e Salvador (-3,56%).
Ao final de 2004, a cesta básica mais cara foi verificada em Porto Alegre, onde custava R$ 174,75. Logo atrás, aparecem São Paulo (R$ 172,20) e Brasília (R$ 168,73). No extremo oposto da lista, ficam Recife (R$ 122,99) e Fortaleza (R$ 124,73), capitais com os preços mais baixos.
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Comportamento de cada produto
Embora no ano passado o Governo tenha concedido alíquota zero para o PIS/Pasep e Cofins na comercialização e nos insumos de produção do feijão, o preço deste grão ficou mais caro em onze das 16 capitais pesquisadas. Segundo o Dieese, a elevação se justifica pela quebra na safra de inverno do feijão. As maiores altas foram constatadas em Goiânia (21,74%), Rio de Janeiro (16,11%) e São Paulo (14,88%).
Outros sete produtos protagonizaram aumento de custos na maioria das cidades observadas pelo estudo mensal, como pão, café, leite, açúcar e manteiga. A batata foi o único item com incremento de preço verificado em todas as capitais onde faz parte da cesta de produtos. No Rio de Janeiro, ela ficou 57,65% mais cara em 2004, e em Porto Alegre a alta foi de 49,45%.
Com elevação de preço em doze capitais, a carne bovina também faz parte do grupo de itens que teve aumento generalizado, sendo os mais expressivos deles registrados em Salvador (13,64%) e João Pessoa (12,19%). Por outro lado, em Curitiba (-5,52%) e Belo Horizonte (-4,78%) ocorreu queda.
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Impostos zerados surtem efeito no custo do arroz
Também beneficiado pela isenção do PIS/Pasep e da Cofins, o arroz teve seu preço reduzido em todas as capitais analisadas, sendo que em 14 delas o recuo foi superior a 10%. As maiores quedas aconteceram em Salvador (-26,17%), Florianópolis (-24,40%) e Porto Alegre (-22,28%).
Além do arroz, outros itens da cesta básica apresentaram baixas predominantes em 2004, como o óleo de soja, que ficou mais barato em 14 cidades, e o tomate, com retração de custos em onze locais.
Salário mínimo deveria valer quanto?
Levando-se em consideração que o salário mínimo deveria ser suficiente para manter o trabalhador e sua família, suprindo suas despesas com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, seu valor precisaria ser de R$ 1.468,08 no final de 2004, segundo o Dieese.
Este salário ideal corresponde a 5,64 vezes o mínimo vigente, parcela ligeiramente melhor que as 5,92 vezes verificadas em dezembro de 2003, quando o salário deveria ser de R$ 1.420,61.