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SÃO PAULO – Há dois anos eles chegaram discretamente ao mercado, e agora já ocupam quase um terço da produção brasileira de automóveis. Conhecidos como bicombustíveis, estes veículos podem ser abastecidos tanto com gasolina, quanto com álcool hidratado.
De acordo com especialistas do setor, a tendência é que esta modalidade de carro substitua rapidamente os modelos antigos de automóveis. Praticidade e economia são apontados como as principais vantagens.
Em 2003, quando os bicombustíveis estreiaram no Brasil, eles responderam por apenas 3% da fabricação automotiva nacional, com 48,1 mil unidades produzidas. No ano passado, os veículos com motores flexíveis, como também são chamados, já representaram 22% do mercado, com 328,3 mil unidades. Os números são da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Atualmente, as quatro maiores montadoras do Brasil produzem ao menos um modelo bicombustível. Ao lado de Volkswagen, Fiat, Ford e Chevrolet, agora a Renault também lançou sua versão flexível. Em breve, Citroën, Peugeot e Honda devem utilizar a nova tecnologia.
Na medida certa
Quem possui um automóvel do tipo flexível não só pode optar entre abastecê-lo com gasolina ou álcool, como também é capaz de misturar os dois combustíveis na proporção que lhe interessar.
O álcool é mais barato e concede maior agilidade ao veículo, no entanto, sua autonomia é menor que a da gasolina, ou seja, cada litro deste combustível capacita o carro a rodar por uma quantidade menor de quilômetros. Já a gasolina, embora mais cara, apresenta consumo mais moderado. Enfim, é preciso fazer as contas para descobrir qual produto vale mais a pena. E só os bicombustíveis possibilitam esta liberdade de escolha.
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Como efeito ilustrativo, vale a pena analisar o caso do Fiat Palio 1.3 8v Flex, cujo consumo de gasolina, na cidade, é de 13 km por litro, e o de álcool fica próximo a 9,2 km por litro. Nesta situação, a autonomia do álcool chega a 70% da gasolina, o que é uma taxa muito similar à média dos demais modelos.
Portanto, para que o motorista de um Fiat Palio 1.3 8v Flex faça um bom negócio ao abastecê-lo com álcool, o preço do combustível precisa ser, no máximo, 70% do valor pago pela gasolina.
Segundo pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo), em fevereiro deste ano o valor médio pago no Brasil pelo litro da gasolina estava em R$ 2,263, enquanto a mesma quantidade de álcool era vendida por R$ 1,414, o que equivale a 62,28% do custo da gasolina.
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Vale lembrar que, caso o motorista misture os dois combustíveis, o nível de consumo do motor ficará próximo ao do álcool. Ou seja, salvo em condições especiais, esta prática não é muito lucrativa.
Domínio do mercado
Além da vantagem de possibilitar a liberdade de escolha, os flexíveis, ou simplesmente flex, são vendidos a preços similares ao dos modelos tradicionais, e até agora seus motores não apresentaram nenhum tipo de problema decorrente da nova tecnologia.
Não se pode esquecer também que o proprietário de um automóvel deste tipo está mais protegido na eventualidade de aumentos extraordinários de preços de algum dos dois combustíveis.
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Esses fatores revelam que tudo favorece a disseminação dos flexíveis pelo Brasil. Já em janeiro deste ano sua fatia de mercado superou a média de 22% verificada em 2004. No primeiro mês de 2005 foram fabricadas 26,3 mil unidades, ou 26% do total de veículos produzidos no País. O setor prevê que em poucos anos os bicombustíveis respondam por toda a produção nacional.
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