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SÃO PAULO – O consumo de produtos piratas está difundido por todas as classes sociais da capital paulista, e mesmo a consciência de seu malefício não impede sua prática. Estas são as principais conclusões de uma pesquisa realizada pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Dannemann Siemsen (IDS), da Câmara de Comércio dos EUA e da Warner Bros. Consumer Products.
De acordo com a sondagem, 33% dos entrevistados admitem comprar produtos de comerciantes ambulantes e de lojas do chamado comércio informal. Somente com roupas falsificadas, estas pessoas desembolsam R$ 8,9 bilhões por ano, e com tênis gastam mais R$ 2,3 bilhões, o que, somado, representa R$ 9 bilhões anuais de perda de receita tributária para o Governo Federal.
Ao contrário do que pode sugerir uma leitura precipitada, o hábito de adquirir produtos ilegais não se restringe às classes mais baixas. O que muda entre as faixas de renda são apenas os produtos consumidos. Enquanto os integrantes da classe A preferem jogos eletrônicos, brinquedos e óculos, pessoas das classes D e E, por exemplo, compram mais roupas, brinquedos e tênis.
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Consciência não evita prática
A pesquisa ainda apurou as opiniões dos entrevistados em relação ao consumo de produtos piratas, e o resultado da sondagem mostra que 76% das pessoas reconhecem que, ao comprarem itens falsificados, colaboram com a sonegação de impostos e a conseqüente perda de arrecadação tributária do governo, que poderia reverter estes recursos em investimentos nas áreas de saúde, educação e habitação. Esta mesma parcela de gente também sabe que está prejudicando os negócios das marcas famosas originais e, dessa forma, impedindo a abertura de novos postos de trabalho no País.
Esta consciência dos malefícios da pirataria, porém, se choca com outras convicções do público consumidor da cidade de São Paulo. Para 54% das pessoas ouvidas, as grandes empresas que têm seus produtos pirateados lucram muito e os prejuízos provocados pelas falsificações não lhes afetam. Outros 65% dos entrevistados alegam que o comércio de mercadorias piratas gera empregos em países pobres, enquanto as marcas famosas beneficiam apenas as nações desenvolvidas.
Além de conscientes de sua prática, os consumidores de produtos falsificados se consideram conhecedores do mercado que freqüentam: 43% das pessoas disseram que sempre identificam os itens piratas, e outros 16% afirmaram que fazem a diferenciação na maioria das vezes.
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Vale dizer que a pesquisa do Ibope ouviu 602 paulistanos com idade superior a 16 anos.