Crise política preocupa e confiança do consumidor é a menor em um ano

Pesquisa da Fecomercio-SP mostra que índice caiu 5,4% em agosto, pressionado pelas expectativas pessimistas

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SÃO PAULO – A atual crise política fez com que a confiança do consumidor paulistano na economia do País caísse 5,4% em agosto, na comparação com julho, atingindo o nível mais baixo dos últimos 12 meses, segundo revela o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), divulgado pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) nesta terça-feira (16).

Com a retração apurada no período, o indicador ficou em 126,1 pontos. Vale destacar que a sondagem, que cobre toda a região metropolitana de São Paulo, utiliza uma escala que varia de 0 a 200 pontos. Quando o índice está acima de 100 pontos, significa que há otimismo entre os consumidores.

Crise política preocupa

Segundo os organizadores da pesquisa, o resultado de agosto confirma que os reflexos do cenário político conturbado chegaram à opinião pública. Até a última rodada do estudo, em julho, as denúncias de corrupção ainda não tinham afetado a confiança dos consumidores, no entanto, a intensificação das denúncias e a possibilidade de desdobramentos imprevisíveis agora deixam as pessoas mais cautelosas.

Este quadro, ainda de acordo com a Fecomercio-SP, evidencia uma apreensão popular mais concentrada nas possíveis conseqüências econômicas que a crise política pode “trazer à vida das famílias e ao País de modo geral”. A deterioração da confiança dos consumidores só não foi maior, inclusive, porque a esfera econômica tem se mostrado imune às turbulências políticas.

A queda do índice em agosto decorre da piora das expectativas dos entrevistados em relação ao cenário futuro do País, o que corrobora a tese do temor generalizado de que a crise contamine a economia. O componente do ICC que mede apenas as previsões das pessoas caiu expressivos 9,9% no mês, fazendo com que o indicador chegasse a 131,1 pontos.

Em contrapartida, o item da pesquisa que revela o diagnóstico dos consumidores sobre a conjuntura econômica atual protagonizou alta de 3,1%, alcançando em agosto 118,7 pontos.

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“Ricos” mais satisfeitos

Apesar da avaliação atual da economia ainda registrar sinais de melhoria em agosto, a pesquisa da Fecomercio-SP mostra que esta satisfação está restrita à parcela da população de maior renda. O índice subiu 19,8% entre as pessoas que ganham mais de dez salários mínimos por mês, alcançando 147,9 pontos; enquanto para os trabalhadores com vencimentos abaixo deste nível, o indicador que mede o diagnóstico presente registrou queda de 8,1% e chegou a 101,5 pontos.

De acordo com a Fecomercio-SP, este fenômeno pode ser explicado pelo fato das pessoas com rendas superiores terem maior acesso à informação, o que as capacita a analisar a situação além da crise política, e assim enxergar o lado positivo do quadro econômico, com inflação em queda, crédito em expansão e câmbio mais barato para o consumidor. Já os trabalhadores com menores rendimentos se sentem prejudicados pela alta do nível de endividamento e pela lentidão na recuperação dos níveis de emprego, entre outros fatores.