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SÃO PAULO – O dinheiro de plástico definitivamente desbancou o uso do cheque. Ocupando a posição de segundo meio mais utilizado na hora de pagar as contas, os cartões de crédito, de débito e de loja só perdem para o uso do dinheiro de papel.
Para que essa comparação fosse feita, a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) tomou como referência somente as transações feitas com cheques no valor de R$ 299,99, definido pelo Banco Central como valor-limite. Excluindo as transações feitas entre empresas, normalmente maiores, é possível ter uma noção melhor do consumo privado.
Cheques cada vez menos usados
De acordo com o estudo, divulgado nesta sexta-feira (09), há seis anos o uso dos cheques vem caindo por volta de 7% ao ano no Brasil, enquanto as transações com cartões aumentam ao ritmo de 22% ao ano.
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Só em outubro, as transações feitas com cartões foram três vezes mais freqüentes do que com cheques. Em números absolutos, as transações com cartões somaram 341 milhões e com cheques não passaram de 112 milhões. Na comparação apenas entre os dois meios, a proporção fica em 75% para os plásticos contra 25% para os cheques.
O resultado disso acaba sendo refletido no valor dessas transações. Em outubro do ano passado, as transações com cartão foram de R$ 14,9 bilhões frente aos R$ 12,7 bilhões somados pelos cheques, uma proporção de 54% e 46%. Se comparado com outubro deste ano, essa proporção fica em 61% e 39%; resultado dos R$ 19,1 bilhões em transações com cartões e R$ 12,2 bilhões com cheques.
Se mesmo assim todos os pagamentos feitos com cheques forem incluídos na soma (mesmo aqueles com valor mais alto), a vantagem dos cartões em número de transações continua expressiva: a proporção é de 68% para os cartões e 32% para os cheques, ou 341 milhões e 158 milhões, respectivamente.
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Outras tecnologias
“Já é cada vez mais comum usar o cartão em locais como barracas de praia e em entregas em domicílio.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, por exemplo, os feirantes já estão tomando medidas para passar a trabalhar com cartões nas feiras livres”, enfatiza Rios, ao lembrar que as novas tecnologias, como as sem fio, como o telefone celular, estão permitindo o uso de cartões de débito e crédito a mais pessoas e lugares.
Tendência mundial
Para o diretor de marketing da Abecs, Antonio Luiz Rios, “trata-se de um fenômeno semelhante ao que ocorreu em outros países, nos quais os cartões já superam, por larga margem, o uso dos cheques”. E completou: “isso está ocorrendo também no Brasil, mesmo com uma característica própria do comércio brasileiro que é o uso do cheque como instrumento de crédito, na forma dos pré-datados”.
Rios acredita que o cartão dá ao empresário a certeza de que receberá por aquilo que vendeu, ao contrário do que ocorre em relação aos cheques.
Para se ter uma idéia, as devoluções em outubro deste ano, por exemplo, aumentaram 15% em relação ao mesmo período de 2004, segundo a Serasa. Foram 3,1 milhões de cheques devolvidos em um montante de 158 milhões emitidos, uma taxa de devolução de 2%, o segundo nível mais alto desde 1991, quando a pesquisa começou a ser feita.