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SÃO PAULO – Como reflexo da contração econômica observada no país, o poder aquisitivo da população apresentou uma redução nos últimos 4 anos. Assim, de acordo com os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), os brasileiros passaram a priorizar os gastos com bens de primeira necessidade, em detrimento dos supérfluos.
Nesse sentido, a pesquisa realizada nas 12 principais capitais do país com uma amostra de 14 mil famílias indicou um aumento dos gastos com os produtos do item alimentação e habitação, enquanto o dispêndio com o grupo saúde e cuidados pessoais, juntamente com o grupo educação, leitura e recreação, apresentou expressiva queda. Vale destacar que essa pesquisa da FGV é realizada a cada 4 anos, sendo a última do ano de 1999.
Gastos com alimentos aumentam
No período considerado pela última POF foi observada uma queda na renda dos trabalhadores, em especial nas grandes cidades do país, que agravado pela alta dos preços entre os anos de 2002 e 2003, levou ao aumento da participação dos gastos com alimentos pelas famílias do país. Assim, a participação desses produtos nas despesas dos brasileiros passou de 25,12% para 27,49% no período.
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Só para se ter uma idéia, no período da realização da pesquisa de 1999, foi registrada uma inflação de 8,52% nos preços dos produtos do grupo alimentos, enquanto no período da última pesquisa esses preços registraram uma variação positiva de 22,03%. Nesse sentido, somente o óleo de soja registrou uma variação de 27,75% em seus preços, entre setembro de 2002 e outubro de 2003, enquanto entre setembro de 1999 e outubro de 2000 tinha registrado uma deflação de 12,2%.
Já o grupo habitação aumentou sua participação nas despesas de 31,15% para 31,84%, na comparação entre as POFs de 1999 e 2003. Vale destacar, que mesmo a participação total desse grupo não tendo apresentado uma grande variação, sua composição foi bastante alterada, com destaque para o aumento dos gastos com as tarifas públicas. No período de realização da última pesquisa os preços da eletricidade, do gás de botijão e do telefone residencial registraram uma alta expressiva.
Brasileiros gastam mais com internet e TV a cabo
Além disso, o grupo de despesas diversas também registrou um aumento significativo da sua participação nas despesas das famílias, que passou de 3,46% para 4,44% na comparação entre as referidas pesquisas. O principal destaque desse grupo ficou com o sub-item de serviços diversos, que inclui gastos com internet e assinatura de TV a cabo, que aumentou sua participação nas despesas de 0,59% para 1,69%.
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Por sua vez, o grupo vestuário apresentou uma ligeira elevação na sua participação nos gastos dos brasileiros. Na POF de 1999 esse grupo tinha uma participação de 5,08%, enquanto na pesquisa do ano passado essa participação foi de 5,4%. Cabe destacar que um novo sub-item foi incluído na última pesquisa realizada, o de roupas infantis.
Saúde reduz sua participação nas despesas para 10,36%
Com a perda de poder aquisitivo da população, o peso do grupo saúde e cuidados pessoais nas despesas dos brasileiros apresentou uma redução, passando de 12,02% para 10,36% entre as POFs de 1999 e 2003, mesmo que esses os gastos com saúde sejam relativamente inelásticos.
Nesse sentido a participação dos gastos com plano de saúde e seguros caiu de 3,29% para 2,47%, enquanto as despesas com médicos e dentistas diminuíram de 1,62% para 1,08%. Por sua vez, os gastos com medicamentos apresentaram uma queda no seu peso nos gastos gerais de 2,8% para 2,2%, mas que pode ser atribuído a uma diminuição da despesa sem redução do consumo, já que o preço dos remédios registrou nos últimos 4 anos uma alta de 41,75%, enquanto a inflação medida pelo IPC da Fipe nesse período foi de 52,27%.
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Já o item educação, leitura e recreação registrou queda em sua participação, passando de 9,23% na POF de 1999 para 8,74% na do último ano. Cabe destacar que o su-bitem educação registrou uma elevação na sua participação nos gastos totais de 5,65% para 5,76%, entre os períodos considerados. No entanto, com um nível de renda mais baixo, as famílias brasileiras gastaram menos com recreação, que teve seu peso reduzido de 3,0% para 2,56%.
Finalmente, o grupo transportes registrou a maior redução de participação dentre todos os grupos. Na POF de 1999 o peso desse grupo era de 13,95% e passou para 11,72% na POF de 2003, sendo que enquanto a ponderação do transporte público apresentou uma elevação a dos veículos registraram uma acentuada queda.
A participação nos gastos com o transporte público cresceu de 3,53% para 4,76%, refletindo a crescente cobertura desse serviço e também a alta de 102,88% em seus preços entre 1999 e 2003. Já a participação dos gastos com veículos passou de 2,52% para 0,61%, indicando a população tem preferido gastar menos com compra e troca de veículos.
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Despesas devem apresentar alteração nos próximos anos
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, nos próximos 4 anos, o perfil dos gastos das famílias brasileiras deve apresentar mais uma mudança significativa, já que é esperado um forte crescimento econômico para os próximos anos, que deve possibilitar um crescimento da renda dos brasileiros.
Com isso, se espera que os gastos com alimentação apresentem uma redução no seu peso nas despesas gerais das famílias e que, com o tempo, o brasileiro volte a gastar mais com produtos menos essenciais.