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Com as atenções voltadas para a Zona do Euro nesta semana, o Ibovespa registrou queda de 1,70% no período entre 26 e 30 de setembro, – 2ª queda consecutiva -, fechando esta sexta-feira (30) aos 52.324 pontos. O índice terminou o mês de setembro com variação negativa de 7,38%, o maior recuo mensal desde outubro de 2008, quando caiu 24,8%.
Assim, o benchmark da bolsa brasileira recuou pelo sexto mês seguido, caindo 23,71%, a maior sequência de perdas desde o período entre junho e novembro de 2008, quando o declínio acumulado foi de 49,62% nos mesmos seis meses. Além disso, o Ibovespa terminou este terceiro trimestre com queda de 16,15%, a maior desde o 3T08, quando 23,8%.
Destaques da semana
A forte queda de 15,33% das ações da Hypermarcas na última semana deste mês, a maior do Ibovespa, levou a ação da varejista ao posto de também maior queda do índice em setembro, com desvalorização de 33,73% durante o mês. Com isso, os papéis HYPE3 também acumulam o pior desempenho de 2011 dentre os ativos que fazem parte da composição da carteira teórica do índice, com queda de 60,54%.
As ações CCR fecharam como o principal destaque positivo da semana dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando alta de 9,04%, cotadas a R$ 48,95. O analista da Um Investimentos, Luiz Gustavo Pereira, destaca que momento atual de preocupação com a inflação doméstica contribuiu para a valorização dos papéis da companhia, tendo em vista que as tarifas cobradas pela concessionária de rodovias são ajustadas de acordo com a evolução dos preços na economia brasileira.
Petro e Vale
As ações da Petrobras encerraram a semana com leve queda, em meio ao fraco noticiário corporativo da estatal.
Enquanto isso, os papéis da Vale terminaram a semana no vermelho. Nesta semana, a diretoria executiva da mineradora aprovou o pagamento da segunda parcela de remuneração mínima aos seus acionistas, no valor de US$ 2 bilhões, além de uma remuneração adicional de US$ 1 bilhão. A decisão ainda precisa ser submetida ao conselho de administração da companhia, que deverá aprovar ou rejeitar a proposta no dia 14 de outubro.
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A empresa também reportou o pagamento semestral de remuneração das debêntures participativas no valor de R$ 0,028242528 por debênture, que será efetuado no dia 3 de outubro deste ano, através da Cetip, Balcão Organizado de Ativos e Derivativos e do Banco Bradesco. O valor total do pagamento é de R$ 10,9 milhões.
Alemanha aprova expansão do EFSF
No quinta-feira (29), os investidores digeriram a aprovação da expansão do EFSF pelo parlamento da Alemanha, com o objetivo fornecer mais flexibilidade ao fundo de modo a amenizar os riscos de contágio na região, enquanto as autoridades reguladoras da Itália e da Espanha decidiram estender o prazo de proibição para as vendas a descoberto. As vendas a descoberto estimulam a especulação no curto prazo e acarretam fortes turbulências para o mercado.
O Parlamento da Áustria também aprovou a expansão do EFSF. Com o aval, a contribuição do governo austríaco ao fundo de resgate da Zona do Euro aumentou para € 21,6 bilhões, de € 12,24 bilhões.
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Ainda por lá, a proposta da Comissão Europeia sobre um imposto para transações financeiras, a ser implantado no começo de 2014. A medida tem como objetivo arrecadar € 57 bilhões, valor que seria dividido entre a União Europeia e seus estados membros.
Parlamento europeu aprova reformas
Também no front europeu, o parlamento da região aprovou nesta sessão um pacote de reformas legislativas no âmbito da governança econômica, as quais sinalizam uma união ainda maior na União Europeia. O pacote contém uma série de medidas que possuem dois pontos centrais: ações preventivas e corretivas mais fortes, além da redução de desequilíbrios macroeconômicos entre os países membros.
Grécia e bancos franceses
No começo da semana, o ministro de finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, tratou de negar informações publicadas em um jornal grego de que ele teria apresentado ao FMI e ao BCE uma proposta que envolve o perdão de 40% a 50% de sua dívida. Enquanto isso, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmou que a Grécia não sairá da Zona do Euro.
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Ainda no velho continente, a equipe da Fitch Ratings alertou que importantes bancos franceses como BNP Paribas, Credit Agricole, Société Générale, La Banque Postale, Groupe BPCE e CM10-CIC enfrentam um cenário adverso que reforça as pressões sobre os ratings dessas instituições.
Tombini e Mantega
Por aqui, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou, em audiência pública realizada no Senado, que a piora da crise internacional não surpreendeu o Copom e que deve haver uma diminuição no crescimento econômico brasileiro neste ano, além do recuo da inflação no país no próximo ano. Tombini também falou que a recente alta do dólar não deverá ter muito impacto na inflação.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a crise econômica internacional não levará o governo a adotar novas medidas, entre elas uma mudança no IOF. Mantega também disse que o contágio da crise e a deterioração dos mercados só poderá ser evitado com a aprovação de um novo fundo europeu com mais capacidade, parecido com que o Federal Reserve fez no passado nos EUA.
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Ainda no cenário doméstico, o Banco Central aumentou a projeção para a inflação oficial deste ano para 6,4%, enquanto as estimativas para o IPCA anteriormente eram de 5,8%, segundo apontou o relatório Trimestral de Inflação. Também segundo o documento, a projeção de crescimento para o PIB foi revisada de 4% para 3,5%.
Agenda econômica da semana
No Brasil, o relatório Focus revelou que a a expectativa do mercado é que a inflação supere o teto da meta estabelecida pelo Banco Central neste ano. As projeções indicam um IPCA de 6,52% ao final do ano, enquanto o IPC-Fipe apontou variação positiva dos preços de 0,22% na terceira leitura de setembro.
O IGP-M variou 0,65% em setembro, segundo dados divulgados pela FGV. Em agosto, o indicador havia registrado taxa de 0,44%. Enquanto isso, a confiança do consumidor apresentou recuou pelo segundo mês consecutivo, passando de 118,7 pontos em julho para 114,7 pontos em agosto, segundo dados do ICC, medido pela FGV, o que representa uma queda de 3,4%.
Nos EUA, a confiança do consumidor norte-americano, mensurada pelo Consumer Confidence, indicou 45,4 pontos no mês, ficando abaixo das expectativas do mercado, que indicavam 46,6 pontos. Já a economia do país mostrou avanço de 1,3% no segundo trimestre de 2011. O resultado da terceira prévia do PIB ficou acima das expectativas do mercado, que sugeriam uma expansão de 1,2% na atividade norte-americana.
O Initial Claims registrou um total de 391 mil novos pedidos de auxílio-desemprego na semana até 23 de setembro, frente às projeções que giravam em torno de 419 mil solicitações.
Em relação ao setor imobiliário, o número de casas novas vendidas nos em agosto ficou acima do esperado pelo mercado, com o New Home Sales registrando vendas de 295 mil casas, frente à expectativa de 293 mil. Já o número de contratos de compra e venda de casas nos EUA apresentou queda de 1,3% em agosto. O resultado do período foi melhor que as expectativas, que apontavam queda de 1,5%.
Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial fechou cotado na venda a R$ 1,88815 na venda nesta sexta-feira. A moeda norte-americana acumulou em setembro uma alta de 18,11%, a maior valorização desde setembro de 2002, quando avançou 24,93% e fechou o terceiro trimestre com forte alta de 20,45%, a maior desde 4º trimestre de 2008, quando subiu 22,61%
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 10,32%, com queda de 0,14 ponto percentual na semana.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 132,05% de seu valor de face, queda de 1,05% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou estabilidade, mantendo-se nos 274 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Na agenda do investidor para a primeira semana de outubro, destaque para a divulgação do Employment Report do mês de setembro e do Consumer Credit nos EUA. Além de reuniões para definir a taxa de juros dos Bancos Centrais da Euopa, da Inglaterra e do Japão.
No cenário doméstico, por sua vez, investidores devem ficar atentos aos diversos indicadores de inflação, como o IPCA de setembro, além de dados da indústria do País.