ICV em SP pesou mais para famílias de maior poder aquisitivo em outubro

Estrato 3 de renda sofre maior impacto inflacionário; saúde, transportes e alimentação foram os que mais contribuíram

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SÃO PAULO – Além do Índice de Custo de Vida (ICV) para o município de São Paulo, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) divulgou também nesta quinta-feira (04) os índices inflacionários para os diferentes estratos de renda das famílias paulistanas.

O ICV geral registrou alta de 0,53% em outubro. Com isso, a inflação apurada para o período aumentou 0,24 ponto percentual em relação a setembro, quando a taxa apurada foi de 0,29%. Os grupos que mais contribuíram para esse resultado foram: Transporte (+1,90%), Saúde (+1,15%) e Alimentos (+0,42%). Juntos, os três grupos contribuíram com 0,44 ponto percentual.

Gastos diferentes, comportamento inflacionário diferente

O comportamento inflacionário apurado pela pesquisa para os índices dos três estratos de renda das famílias paulistanas apresentaram variações distintas, resultados que revelam que a forma de despender das famílias, dependendo do seu poder aquisitivo, resulta em impactos inflacionários diferentes. Neste sentido, houve aumento do índice para todos os estratos em outubro sendo que o estrato 3, composto pelas famílias mais ricas, foi o que sofreu maior impacto.

Para as famílias cuja renda média é de R$ 377,49, a inflação em outubro foi de 0,29%, aumento apenas de 0,02 ponto percentual em relação a setembro. As famílias do menor poder aquisitivo correspondem a 1/3 das famílias com menores rendas.

Já para as famílias com nível intermediário de rendimento, pertencentes ao estrato 2, cuja renda média é de R$ 934,17, a inflação foi de 0,47%. Na comparação com o mês de setembro, o aumento é de 0,19 ponto percentual. Finalmente, para as famílias de maior poder aquisitivo (estrato 3), cuja renda média mensal é de R$ 2.792,90, a inflação foi de 0,61%, registrando um acréscimo em relação a setembro de 0,30 ponto percentual, o maior entre os estratos.

Saúde e Transporte pesaram mais no bolso

De acordo com o estudo do Dieese, a elevação nos preços dos grupos Transporte e Saúde contribuiu mais para o aumento da taxa de inflação nesse mês, principalmente, para as famílias de maior poder aquisitivo, sendo que os maiores contribuintes para isso foram os reajustes nos preços dos combustíveis e de assistência médica, itens consumidos mais pelas famílias com maior renda.

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Para se ter uma idéia, a contribuição conjunta dos dois itens citados acima foi de 0,17 pp na taxa de inflação para as famílias do estrato 1, enquanto para o estrato 3 a contribuição foi bem maior, de 0,45 ponto percentual. Para o estrato 2 a contribuição foi de 0,32 pp.

Comportamento atípico do grupo Alimentos

Contrariando os resultados verificados em pesquisas anteriores, as contribuições do grupo Alimentos por estrato de renda foi crescente de acordo com o aumento do poder aquisitivo. O resultado foi inesperado, uma vez que as famílias de menores rendas, normalmente, são as que mais gastam com alimentação.

O maior impacto do grupo para as famílias do estrato 3 (0,07 pp) se deu pelo fato da alta do índice de preços no grupo ser impulsionada pela elevação nos custos da alimentação fora de casa, cujo peso é maior para o estrato 3 (5,55%) em relação ao estrato 1 (3,63%). Por fim, o grupo Alimentos contribuiu 0,03 pp para o estrato 1 e 0,05 pp para o estrato 2.