Inadimplência nos consórcios de imóveis preocupa

Setor cresceu 30% em 2002, mas nível de inadimplência total já é de quase 25%, com as taxas de desitência e inadimplência em cerca de 11,2%

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SÃO PAULO – O brasileiro que está procurando financiamento imobiliário, certamente não deve ter se animado com o último aumento da taxa básica de juros, que agora se encontra em 26,5% ao ano. Para quem busca alternativas de como realizar o sonho da casa própria, os consórcios, que não cobram taxas de juros, podem ser uma opção atrativa, mas é preciso cautela antes de optar por esta alternativa.

Crescimento em 2002 foi excepcional

Apesar dos consórcios imobiliários já existirem há dez anos, somente desde 2001 é que o setor começou a crescer de maneira mais acentuada.

O número de participantes cresceu ainda mais no passado ao atingir a marca de 123,9 mil participantes no final do ano, o que representa um crescimento de cerca de 30% em relação ao registrado no final de 2001. O excelente desempenho do setor pode ser explicada pelo forte aumento dos juros desde o início de 2001, período em que a Selic subiu de 15,25% ao ano para os atuais 26,5%.

De acordo com a Abac o segmento de consórcio que mais cresceu em 2002, foi exatamente o de imóveis, o que surpreendeu devido ao fato de que se trata do segmento cujas prestações são mais altas. A Abac afirma que durante o ano foram negociadas cerca de 73,8 mil cotas de consórcios imobiliários, um aumento de 21,5% em relação as vendas do de 2001.

Em 2003 perspectivas seguem positivas

As perspectivas para 2003 do setor de consórcios continuam positivas. Atualmente os consórcios imobiliários contam com 123,925 mil participantes ativos, isto é, pessoas que continuam pagando suas prestações.

Em 2003 o setor espera não só manter o bom desempenho do ano passado, como aumentar a participação dos consórcios imobiliários no setor dos atuais 4% para algo próximo dos 4,8%, o que assume um crescimento de 10% para o setor como um todo frente a uma expansão de 30% para o segmento de imóveis.

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A entrada de novos participantes no setor também contribuiu para o crescimento, especialmente a da Caixa, que de acordo com o representante da Abac, deve conferir maior credibilidade a esta modalidade de financiamento.

Inadimplência ainda preocupa

Apesar de possibilitar uma redução significativa dos custos de financiamento da casa própria, a opção pelos consórcios imobiliários ainda deve ser vista com cuidado, devido principalmente aos riscos de inadimplência.

De acordo com dados da própria Abac, a cada dez participantes que optam por participar de um grupo de consórcio, dois e meio acabam desistindo antes de serem contemplados, o que coloca a inadimplência entre as mais altas do país em 25%.

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Atualmente o índice de desistência e inadimplência dos consórcios está em 11,2%, sendo que a diferença entre as duas categorias é que os inadimplentes já foram contemplados, enquanto os desistentes não.

A saída de parte dos participantes acaba forçando as administradoras de consórcios a identificarem novos participantes para substituir os desistentes de forma a não prejudicar os demais participantes.

Cuidados ao entrar em um consórcio

Antes de entrar em um consórcio, existem alguns itens importantes que devem ser observados, como, por exemplo, a credibilidade da empresa administradora. Veja se a empresa está autorizada pelo Banco Central a atuar no setor, e verifique se não existem reclamações contra ela nos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon. Fique também atento ao contrato, especialmente no que diz respeito às prestações e às taxas de adesão e fundos de reserva.

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Antes de optar pelo consórcio, compare os custos com os de uma poupança programada, pois em alguns casos esta opção permite que você compre o bem mais rapidamente sem ter que arcar com os gastos de taxa de administração e de adesão do consórcio.

Lembre-se que se você desistir do consórcio, é possível receber o dinheiro de volta, mas para isso você terá de esperar até o encerramento do grupo, isto é, até que todos participantes tenham recebido seus bens. Não há obrigação de devolução dos custos relacionados à taxa de adesão, ficando a decisão a cargo da administradora do consórcio.