Mercado de locação está otimista para 2003

Aumento dos aluguéis tem ficado abaixo de 1%, o que favorece proprietários sem espantar inquilinos; maior crescimento foi registrado entre as casas

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SÃO PAULO – Depois de um ano relativamente desfavorável, em que cerca de 58% das imobiliárias da capital paulista afirmaram ter se decepcionado com desempenho do mercado de locação no ano passado, o setor está otimista com relação às perspectivas para 2003.

Segundo dados do Secovi (Sindicato da Habitação), os aumentos nos preços dos aluguéis residenciais têm ficado abaixo de 1% nos primeiros dois meses do ano, favorecendo os proprietários sem, contudo, espantar os inquilinos. Além disto, as imobiliárias teriam registrado um aumento no volume de imóveis alugados na capital paulista desde o início do ano.

Recuperação dependerá da economia

Na visão do presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), José Roberto Graiche, o mercado se recuperou no primeiro bimestre do ano, como normalmente acontece nesta época do ano. Graiche é cauteloso ao afirmar que o desempenho do setor, apesar dos indícios favoráveis, irá depender do crescimento da economia no ano.

O Secovi divulgou, nesta quinta-feira, sua pesquisa mensal para o mercado de locação, referente ao mês de fevereiro. De acordo com a pesquisa, os aluguéis dos imóveis residenciais registraram um aumento médio de 0,8% em fevereiro, em linha com o aumento de 0,7% obtido em janeiro deste ano.

Apesar do aumento no preço dos aluguéis ter ficado abaixo da inflação no período, que segundo o IPC-FIPE ficou em 1,61% em fevereiro, esta tendência favorece o aumento do volume de imóveis alugados, contribuindo para a redução da oferta de imóveis disponíveis. Em fevereiro, o número de imóveis disponíveis para a locação teria ficado estável em cerca de 40 mil, mesmo patamar registrado em janeiro.

O menor reajuste dos aluguéis acaba atraindo mais interessados e reduzindo o número de imóveis fechados na cidade, o que representa perda de dinheiro tanto para proprietários como para as administradoras destes imóveis.

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Aumento foi maior entre as casas

O levantamento do Secovi de fevereiro constatou que 46% das 155 imobiliárias consultadas registraram um aumento do volume de imóveis alugados em fevereiro com relação a janeiro. A Lello, por exemplo, uma das maiores administradoras da capital, responsável pela administração de cerca sete mil imóveis, constatou um crescimento de 22% no volume de locações em fevereiro.

Enquanto para 40% das imobiliárias, a procura por apartamentos ficou estável em fevereiro com relação a janeiro, para 42% delas a procura por casas teria aumentado no período.

Otimismo justificado

Graiche acredita que o otimismo do setor seja justificado uma vez que existe bastante espaço para crescimento do setor, uma vez que o déficit habitacional da capital paulista ainda é de cerca um milhão de moradias e o estoque de imóveis para locação ainda não é suficiente para atender esta demanda.

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Buscando atrair mais interessados na gestão de imóveis, as imobiliárias estão oferecendo serviços mais especializados, que incluem não apenas a solução de pendências por meio do departamento jurídico. Segundo Graiche cerca de metade dos imóveis da capital é administrada pelos próprios proprietários, o que confirma o espaço para um aumento da profissionalização do mercado de locação. Para ele as administradoras poderiam facilmente penetrar este mercado oferecendo maior segurança para os proprietários.

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