Aumento do ICV no semestre foi impulsionado pela alta do dólar, segundo Dieese

Como o custo de muitos produtos está atrelado à moeda norte-americana, o movimento cambial afeta diretamente o custo de vida

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SÃO PAULO – Nesta quinta-feira o Dieese, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos, divulgou o seu Índice de Custo de Vida (ICV), que mostrou o comportamento dos preços ao consumidor no mês de junho, completando, assim, a análise do primeiro semestre de 2003. Na primeira metade do ano, os preços subiram 6,85%, o que, segundo a instituição, se deu em função principalmente da alta do dólar.

Para evidenciar esta contribuição da apreciação da moeda norte-americana frente ao real, o Dieese conclui um estudo sobre o comportamento da taxa de elevação do dólar comparada à variação do ICV, tomando como base o mês de maio de 2002, quando o dólar começou a se apreciar.

Dólar teve forte valorização em 2002

Com base em maio de 2002, o dólar registrou forte apreciação acumulada, começando em junho (12,8%), subindo para 35,9% em julho, caindo para 19,8% em agosto, explodindo para 54,4% em setembro e caindo em outubro (44,5%), novembro (44,2%), dezembro (40,1%).

Já no ano de 2003, após ter sido eleito presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), o dólar mostrou trajetória de desvalorização, refletindo a confiança dos investidores em relação ao novo governo. Assim, em janeiro a alta acumulada, sempre em relação a maio de 2002, foi de 39,8%, em fevereiro de 41,3% e em março de 33,0%.

Nos meses seguintes, abril (14,6%), maio (17,6%) e junho (13,9%, patamar próximo ao que se encontrava em maio de 2002), o dólar mostrou uma forte queda. Isto porque o fluxo cambial passou para território positivo e os investidores mostram-se mais confiantes na recuperação da economia brasileira.

Reflexo sobre o ICV se dá com defasagem

Nota-se que o reflexo da alta do dólar sobre o ICV se dá com defasagem, visto que primeiramente esta valorização afeta os atacadistas e, posteriormente, os consumidores finais. Neste sentido, com a mesma base de maio de 2002, o ICV mostrou um aumento na variação acumulada dos preços: junho (0,60%), julho (1,95%), agosto (2,36%), setembro (3,33%), outubro (4,50%), novembro (7,84%) e dezembro (10,42%).

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No início de 2003, após a mais forte alta do dólar nos meses que antecederam as eleições, a variação acumulada do ICV alcançou patamares ainda mais elevados, atingindo 13,65% em janeiro, 15,19% em fevereiro, 16,40% em março, 18,01% em abril, 18,30% em maio e 17,99% em junho. Nesta última passagem já se nota um efeito positivo da queda do dólar frente ao real.

Impacto da alta do dólar se dá em diferentes níveis

O impacto sobre os produtos, no entanto, se dá em diferentes níveis. Produtos como aqueles diretamente ligados ao mercado externo (trigo, azeite, bacalhau, açúcar, café e derivados do petróleo) são os que receberam maior influência, sendo estes responsáveis por 7,9% dos gastos das famílias.

Na seqüência aparecem os produtos que têm insumos ligados ao comércio exterior, que respondem por 34,8% dos gastos das famílias e recebem média influência da alta do dólar, como os derivados do trigo, da soja, e do aço, remédios, carne bovina e de frango, calçados e vestuário. Finalmente, aparecem aqueles produtos não relacionados com o comércio, como hortaliças, aluguéis, impostos, escolas e feijão, que correspondem a 57,4% das despesas das famílias.