Mercado de Treasuries não deve sofrer tanto com corte no rating dos EUA

Notas ainda têm "triple A" da Moody's e da Fitch, tornando improvável um cenário de sell-off de Treasuries, diz o Commerzbank

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SÃO PAULO – O corte no rating de crédito AAA dos Estados Unidos, anunciado pela Standard & Poor’s na noite da última sexta-feira (5), deve ter impacto restrito sobre o mercado de títulos públicos norte-americanos, os Treasuries, segundo o Commerzbank. De acordo com Bernd Weidensteiner e Jörg Krämer, economistas do banco alemão, os efeitos do rebaixamento não serão tão fortes pois as notas ainda seguem avaliadas como AAA pela Moody’s e pela Fitch. “Então, um sell-off de Treasuries é extremamente improvável”, disseram.

“O corte no rating não traz nenhuma consequência imediata sobre o papel dos Treasuries no sistema financeiro. Alguns investidores possuem a intenção de manter apenas papéis classificados como AAA em seus portfólios. Entretanto, a Moody’s e a Fitch ainda afirmam o ‘triple A’ para os EUA”, ponderaram os economistas.

Além disso, eles mencionam ainda que os fundos “money markets” não serão afetados pelo corte no rating dos EUA, uma vez que eles possuem apenas papéis de curto prazo e os ratings desse tipo de nota não foram afetados.

Treasuries seguem como investimento seguro
Muitos fundos de investimentos, inclusive fundos soberanos de peso, têm expresso em seu regulamento a necessidade de aplicação de recursos em títulos com nota máxima de crédito, ou seja, históricamente, grande parte de seus recursos tem sido destinados aos Treasuries. O medo dos investidores agora é que a decisão da S&P pode transformar completamente esse cenário. Como a dívida dos EUA não é mais classificada como AAA, esse recursos terão necessariamente que encontrar outro destino condizente com a política de segurança dos fundos, como Alemanha, França e Cingapura.

Para o economista Antônio César Amarante, da Senso Corretora, dificilmente isso será possível, uma vez que não há mercado no mundo com liquidez e volume suficiente para atender uma debandada de recursos dos Treasuries. Assustados, investidores começam a desmontar posições em quase todas as modalidades de investimentos para aguardar uma definição. Ou seja, “tem investidores deixando dinheiro parado no banco”, diz Amarante, além dos investimentos em ouro e moedas símbolo de liquidez como o franco suíço.

Como consequência, o economista acredita que no futuro próximo os fundos de investimento que buscam segurança máxima devem começar a rever suas normas quanto à consideração de ratings para voltar a incorporar as treasuries em suas carteiras.

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Krugman: Treasuries não reagem ao corte 
O economista Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel de economia em 2008, também reforçou nesta segunda-feira (8) que o corte no rating dos EUA não terá impacto sobre os Treasuries. “Mais uma vez a S&P declarou que a dívida dos EUA não é mais um investimento seguro. Ainda assim, os investidores estão entrando cada vez mais na dívida dos EUA, não fora dela, levando a taxa de juros de 10 anos abaixo dos 2,4%. Isso equivale a uma enorme rejeição do mercado às preocupações da S&P”, disse.

Segundo ele, o que realmente desencadeou os temores econômicos atuais é que os investidores finalmente se deram conta de que os EUA estão sem fundamentos. “Até certo ponto eu acho que este é um momento Wile E. Coyote (Coiote do Papa-Léguas), com os investidores de repente percebendo o quão fracos são os fundamentos. Adiciona-se ao cenário a confusão na Europa”, completou.