“AA é novo AAA para nações mais poderosas fiscalmente falando”, diz banco

Isso não é, porém, desastroso, já que os investidores não possuem tantas alternativas para o mercado ultra líquido de Treasuries

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SÃO PAULO – “Nós acreditamos que o rating AA é o novo AAA para as nações mais poderosas fiscalmente falando”. Esta é a opinião de Bernd Weidensteiner e Jörg Krämer, economistas do banco Commerzbank, após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s ter cortado o rating dos Estados Unidos de AAA para AA+, pela primeira vez na história.

Segundo eles, estamos atravessando uma segunda fase da crise financeira que começou em 2007. A primeira fase da crise consistia no domínio da recessão e dúvidas acerca da capacidade do setor privado, especialmente no sistema financeiro dos EUA, em honrar seus débitos. “Governos tiveram que recorrer aos resgates, contraindo déficits maciços neste processo”, disseram.

Já a fase em que estamos agora, para eles, é aquela em que os agentes começam a se perguntar se os governos conseguirão honrar seus débitos no mercado de títulos públicos. “Isso, até o momento, só atingiu os mais fracos. Porém, as posições fiscais até mesmo das mais fortes economias têm se deteriorado ultimamente”, ponderaram.

AAA = AA?
Na análise dos economistas do banco alemão, as poucas nações que ainda possuem rating AAA, chamado pelo mercado de “triple A”, também se encontram na mesma fase da crise. Para eles, a S&P possui uma perspectiva mais favorável para a Alemanha e para a França, acreditando que suas taxas de relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) serão estabilizadas antes de 2015, mas isso não garante que tais países terão suas notas de crédito em AAA para sempre.

“Nós acreditamos que o rating AA é o novo AAA para as nações mais poderosas fiscalmente falando. Isso não significa que seja algo desastroso, claro. Além do mais, os investidores não possuem tantas alternativas assim para o mercado ultra líquido de Treasuries norte-americanos”, disseram os economistas do Commerzbank. Cabe destacar que eles não acreditam que o mercado de títulos públicos dos EUA deve sofrer muito impacto do corte no rating dos EUA pela S&P.