Distribuição de dividendos da Eletropaulo decepciona, dizem corretoras

Lucro líquido caiu 47,4% em comparações anuais, mas, sem ganhos extraordinários de 2010, teria subido 6,1%

Publicidade

SÃO PAULO – Apesar de apresentar perdas anuais de 47,4% no lucro líquido, terminando o segundo trimestre com R$ 255,4 milhões de resultado, foram eventos específicos que afetaram o balanço da Eletropaulo (ELPL4). Desconsiderando os ganhos de 2010 com a venda da AES Telecom e da negociação com a massa falida do Banco Santos, na verdade a empresa lucraria 6,1% mais.

As ações da companhia, porém, reagiram negativamente, e lideravam as perdas do Ibovespa durante toda a manhã de negociações. De acordo com a Coinvalores, a Concórdia e a Planner, o que decepcionou o mercado não foram os números apresentados, mas sim o anúncio de pagamento de 50% dos dividendos, contra expectativa de 100%.

Menos dividendos neste ano
Com a redução no repasse, o rendimento dos papéis da Eletropaulo deve ficar em 11,5% neste ano, segundo cálculos da Planner. Em 2010, essa taxa fechou em 26,7%. A corretora acredita que o múltiplo próximo a outras do setor, que são consideradas mais defensivas, fez as ações ficarem menos atrativas.

Continua depois da publicidade

Rafael Andreata, que assina o relatório, rebaixou a recomendação para “neutro”, ou seja, nem para compra, nem para venda. O preço-alvo estipulado foi de R$ 40,13, o que traria um potencial técnico de valorização igual a 21,4%.

Cautela
Leonardo Zanfelicio, analista da Concórdia, elogia o balanço apresentado na véspera, principalmente pela redução nas perdas com a operação comercial, mas lembra que a demora no acordo sobre o terceiro ciclo de reajuste das tarifas deve comprometer a rentabilidade das distribuidoras de energia.

A corretora indica, portanto, cautela para os investidores que tiverem posição acionária na empresa, indicando que a mudança nas taxas deve afetar os papéis.

Continua depois da publicidade

Otimismo
Já a Coinvalores, apesar de ressaltar que a distribuição do lucro por ação realmente foi bem abaixo do esperado, elogia o crescimento da empresa entre abril e junho, em relação ao setor elétrico de São Paulo, que foi mais moderado. Para Marco Antonio Saravalle, que assina a análise, porém, o resultado já era esperado.

A corretora reitera a recomendação de compra das ações, mas manteve o preço-alvo em revisão.