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SÃO PAULO – O resultado trimestral da Petrobras (PETR3; PETR4), divulgado nessa segunda-feira (15), foram prejudicados pelo segmento de abastecimento, onde o incremento dos custos e a alta demanda de derivados, que levou à importação desses produtos, gerou um prejuízo líquido de R$ 2,3 bilhões, danificando a lucratividade da companhia.
De acordo com Andrés Kikuchi, analista da Link Investimentos, a política de preços da companhia é responsável por isso. “Enquanto os preços do barril de petróleo estiveram em um patamar elevado no mercado internacional e a Petrobras não ajustar o preço dos derivados no mercado interno, esse segmento continuará a drenar o resultado consolidado da estatal”, diz o analista.
Além disso, o principal segmento da companhia Exploração & Produção, foi beneficiado por fatores que não deverão voltar a ocorrer, como a diminuição da diferença entre o preço do petróleo brasileiro e o barril Brent, negociado em Londres. Assim, Kikuchi acredita que a margem de retorno nesse segmento deverá apresentar queda nos próximos balanços, a serem influenciados pela a alta dos custos.
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Contudo, essas altas dos custos já comprimiram as receitas da petrolífera nesse mesmo trimestre, afirmou Nataniel Cezimbra, analista do Banco do Brasil Investimentos. Ele também chama a atenção para os fortes resultados financeiros de R$ 2,8 bilhões, o que compensou o aumento das despesas operacionais.
Investimentos seguem o plano?
Outro ponto salientado pelos analistas é o capex (custos de capital) da estatal no trimestre, que voltou a superar a geração operacional de caixa em R$ 1,9 bilhão. “Isso ocorreu apesar da tentativa do governo de demonstrar um controle dos investimentos”, diz Kikuchi, que lembra que parte do mercado teme os gastos nos próximos anos se os preços das commodities recuarem.
A empresa pretende continuar com fortes investimentos, e espera alcançar a quantia recorde de R$ 84,7 bilhões em 2011. “Entretanto, acredito que os investimentos poderão ficar abaixo da meta”, afirma Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora.
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Todavia, a situação da dívida da empresa não preocupa o analista, uma vez que o endividamento líquido esteve estável em 17%, abaixo do previsto no plano de negócios da companhia, que seria de 35% para alavancagem financeira.
O plano de investimentos da companhia é ponto chave para o futuro da companhia, lembra Cezimbra. De acordo com o analista, há uma sensibilidade do mercado em relação ao desenvolvimento dos projetos por três motivos fundamentais: a necesidade de financiamentos adicionais, caso os desinvestimentos previstos não atendam a necessidade de caixa, a performance dentro do cronograma e as implicações de outras ações estatégicas complementares.
Recomendações
Cezimbra, assim, colocou o seu preço-alvo para as ações da companhia e sua recomendação em revisão, para avaliar as condições do mercado e o plano de negócio da estatal.
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Broad, por sua vez, manteve a recomendação de manutenção para as ações da estatal, com preço-alvo de R$ 35,00, o que implica em 66,75% de potencial teórico de valorização frente ao fechamento da segunda-feira (15). Kikuchi continua com sua recomendação de performance em linha com o mercado, mas não afirma um preço-alvo para os papéis.