Publicidade
SÃO PAULO – Anunciado no final da semana passada pela Petrobras, o novo reajuste do gás de cozinha (GLP) e do óleo combustível usado nas termoelétricas, deve entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira, dia 1º de abril.
De acordo com a própria Agência Nacional de Petróleo (ANP), este é o segundo reajuste no ano, visto que em janeiro os revendedores de gás decidiram aumentar o preço do gás de cozinha para ampliar suas margens, quando o reajuste médio no preço de revenda foi de 16,3% no país. Nesta segunda-feira o gás de cozinha deve ser reajustado em 14,5%.
As maiores distribuidoras do país, Agip Liquigás e Supergasbrás, pretendem repassar integralmente o reajuste anunciado pela Petrobras na semana passada. Com o aumento que deve entrar em vigor em abril, o botijão de 13 kg deverá aumentar de R$ 22 para R$ 25,20 em São Paulo, acumulando uma alta de mais de 30% desde o início do ano.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Novo reajuste terá forte impacto na inflação
O novo aumento no preço do gás de cozinha terá um impacto de aproximadamente 0,24 pontos percentuais sobre o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) medido pelo IBGE. Além disso, tal reajuste contribuirá para que a inflação do mês de março fique em torno de 0,50%, o que começaria a pressionar a meta de inflação estipulada com o FMI para 2002, de 3,5%.
Um aumento da inflação acima do esperado pode colocar em risco as metas de inflação para o ano, forçando o Banco Central (BC) a adiar novos cortes nas taxas de juros, ou reduzir a magnitude dos cortes. Apesar de deixar claro que não daria prioridade a elevações esporádicas de preços, como as do petróleo, é provável que o BC seja forçado a rever esta posição caso a inflação de 2002 comece a dar sinais de descontrole.
Liberação dos combustíveis importados provoca alta
Desde o dia 1º de janeiro novas regras passaram a vigorar para o cálculo do reajuste dos combustíveis, como a liberação dos combustíveis importados. Com a entrada dos produtos estrangeiros no mercado, o preço do combustível ficará a critério dos técnicos da Petrobras, sem que, com isto, seja necessária qualquer intervenção do Governo.
Continua depois da publicidade
Para o consumidor, isto significa que flutuações do preço do barril do petróleo no mercado internacional ou do câmbio no mercado doméstico poderão implicar em novos reajustes do preço dos combustíveis. A alta do petróleo no mercado internacional foi a razão apontadas pela Petrobras para o reajuste anunciado. Já o primeiro reajuste do ano foi decorrência do fim do subsídio ao GLP decorrente da liberalização do mercado de combustíveis.
Com as ameaças do governo norte-americano de invadir o Iraque e o corte de produção anunciado na última reunião da OPEP, o preço do barril do petróleo tem ultrapassado níveis históricos de preço, que obrigou a Petrobrás a repassar tal aumento para o consumidor. Desde o início do ano a cotação do petróleo no mercado de Londres já subiu quase 28%.