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SÃO PAULO – Dentre as mudanças esperadas com a introdução do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) no próximo dia 22 de abril, está a substituição gradativa do cheque por outros meios de pagamento, como os cartões de débito. Nos últimos anos os cheques têm perdido espaço frente aos cartões, tanto os de débito quanto os de crédito.
Substituindo o cheque pré-datado
No caso dos cartões de crédito eles ganharam frente aos cheques pré-datados, quando as operadoras passaram a aceitar o pagamento parcelado dos gastos no cartão sem qualquer acréscimo de juros. A expectativa agora fica por conta do aumento da participação dos cartões de débito, que deve crescer com a entrada no mercado de novas emissoras de cartões de débitos pré-datados e do novo SPB.
O mercado aposta que os cartões de débito pré-datados devem funcionar como mais uma alternativa de financiamento de curto prazo, substituindo os cheques pré-datados principalmente nas compras de maior valor. Confirmando esta tendência a Tecban, empresa que administra o cheque eletrônico, estabeleceu, desde setembro do ano passado, parceria com 40 bancos para operar no segmento de débito parcelado.
Desde então o consumidor já pode dividir o pagamento das suas compras em até 120 dias, antes só era possível fazer pagamento pré-datado em uma data específica, que ficava a critério do lojista. De acordo com o diretor de negócios da Tecban, Rogério Proença, somente em janeiro a empresa teve 450 mil transações com cartões de débito pré-datados e parcelados. A empresa espera conseguir dobrar este número nos próximos doze meses. Em 2001, os pagamentos pré-datados e parcelados respondem por apenas 6% do total das 113 milhões de operações efetuadas com cartões de débito.
Potencial de crescimento é grande
A introdução do novo sistema de pagamentos deve acelerar ainda mais esta tendência, visto que as empresas serão obrigadas a controlar de forma mais eficiente o seu caixa, pois terão que liquidar em tempo real transações acima de R$ 5 mil. Para reduzir o descasamento entre os pagamentos aos fornecedores e os valores que recebem dos seus clientes as empresas devem diminuir o uso dos cheques, pois estes demoram mais para serem compensados do que as operações em cartões de débito.
Para o diretor executivo da Visanet, Walter Rabello, o maior uso dos cartões de débito para pagamentos parcelados ou pré-datados junto com a introdução do SPB devem fazer com que as transações com VisaElectron aumentem em 53%. A Visa, que deve entrar a partir de junho no segmento de cartão de débito parcelado ou pré-pago, acredita no potencial de crescimento do setor, visto que dos 220 milhões de cheques compensados todos os meses boa parte é pré-datada.
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Esta também é a expectativa da Mastercard que aposta que o parcelamento do débito deva implicar em um crescimento de 10% a 15% no faturamento do seu cartão Maestro. Em 2001, as transações com o cartão Maestro cresceram 70% e chegaram a sete milhões no País.
Apesar do forte crescimento do setor, as operadoras de cartões afirmam que ainda existe uma certa resistência por parte do consumidor em usar os cartões de débito. Pensando nisso a Visa pretende lançar uma campanha para divulgar o produto, que atribui à resistência do consumidor as inúmeras mudanças sofridas pelos cartões de débito nos últimos anos. Inicialmente os cartões serviam apenas como garantia dos cheques, em seguida passaram a ser usados para saques e, mais recentemente, como forma de pagamento.
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