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SÃO PAULO – Para quem gasta boa parte do seu orçamento com medicamentos, qualquer medida que permita uma redução, ainda que mínima, com estes gastos é bem vinda. Pensando nisto, o Congresso deve votar em breve o projeto do deputado Ricardo Izar (PTB-SP) que garante a venda de remédios a granel nas farmácias.
De acordo com a necessidade
Quantas vezes você não iniciou um tratamento e acabou sendo forçado a comprar mais de uma cartela de um medicamento, só porque faltariam apenas um ou dois comprimidos para completar a receita prescrita pelo seu médico. A dona de casa Érica Castro, é um destes consumidores que saem prejudicados com a impossibilidade de se comprar remédio de acordo com a necessidade.
“Quando meus filhos estão doentes e o pediatra receita antibióticos no tratamento já preparo o bolso, porque um tratamento de dez dias me força a comprar mais de um vidro do medicamento, mas na verdade uso muito pouco do segundo vidro. É um desperdício.”
Médicos aprovam iniciativa, mas fabricantes reclamam
Como não poderia deixar de ser, existem sempre dois lados da mesma moeda. Se, por um lado, os médicos e os consumidores aplaudem a iniciativa, as farmácias e a Anvisa rejeitam a proposta. O projeto estabelece que as farmácias interessadas em vender medicamentos a granel teriam uma licença especial da Vigilância Sanitária Local. Também estabelece que somente o farmacêutico responsável poderá fazer o fracionamento das embalagens.
Se o ministro da Saúde, Brajas Negri, evitou comentar muito a iniciativa, restringiu-se a afirmar que se tratava de uma boa medida para reduzir os gastos com medicamentos no orçamento do consumidor, mas também se mostrou preocupado com a garantia da qualidade do medicamento.
Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mostrou-se contrária ao projeto, pois acredita que a saúde do consumidor pode ser colocada em risco, devido o risco de falsificação. Para a Anvisa, é impossível garantir a vigilância das 55 mil farmácias do país. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, Ciro Mortella, também se mostrou contrário ao projeto, usando os mesmos argumentos. Na opinião de Mortella, os aspectos econômicos não podem sobrepor à segurança sanitária. A única forma de evitar falsificações seria adotar medidas para garantir a segurança dos lacres e/ou embalagens especiais.
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