Violência ameaça condomínios residenciais

O despreparo de porteiros e descuido de moradores facilitam o acesso de assaltantes nos edifícios das grandes cidades

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SÃO PAULO – Mudar para um condomínio já não é o melhor caminho para quem está em busca de paz e segurança. Os números comprovam que até mesmo os edifícios de alto padrão sofrem com o aumento da violência, e seus moradores são vítimas de assaltos nos próprios apartamentos. Nos primeiros três meses deste ano, 32 prédios foram invadidos por assaltantes apenas na cidade de São Paulo. Se contabilizarmos pequenos furtos, raramente algum condomínio consegue fugir das estatísticas. E o que mais assusta é que os edifícios estão equipados com vigias e modernos equipamentos de segurança.

Ladrões assustam pela ousadia

“Os assaltantes pularam o muro e entraram no elevador de serviço. Eles assaltaram 12 apartamentos”, conta a farmacêutica Neusa Maria Lage, moradora de um edifício em São Bernardo do Campo, na região da Grande São Paulo. Ela explica que os bandidos não usaram armas e nem violência. “Eles pararam em todos os andares e testaram as maçanetas dos apartamentos para ver se a porta estava aberta”. O crime ocorreu às 10h00 da manhã e ninguém percebeu. Ao todo foram levadas carteiras, celulares e bolsas. Somente durante a noite o síndico conseguiu identificar os dois ladrões que
participaram dos furtos, através da fita gravada pelas câmeras do prédio.

Um caso parecido aconteceu no condomínio do empresário Jorge Borbosa Cazpkisk, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Numa noite de quarta-feira, cinco automóveis
foram roubados da garagem de seu prédio. E novamente ninguém viu, nem o porteiro, que monitora 12 câmeras instaladas pelo condomínio. “Pago R$ 720 por mês de
condomínio e nem assim eu posso ficar seguro. Depois desse incidente minha família começou a trancar as portas de casa”, acrescenta.

Vigilantes são mal preparados

A falta de equipamentos de segurança não é a maior culpada pelo aumento da violência nos condomínios residenciais. O despreparo da mão-de-obra é o
principal motivo para a insegurança dos edifícios, aponta Mauro Fernandes Júnior, diretor da SK Sistemas de Segurança. “Não adianta instalar câmeras, dispositivos eletrônicos ou alarmes se os porteiros não estão preparados para reagir a um assalto”, diz. Ele complementa que os funcionários devem passar por um treinamento especializado, para aprender a lidar com situações adversas.

Ainda hoje, é comum que porteiros sejam enganados por homens vestidos de terno e gravata, ou entregadores de pizza. O velho truque do disfarce continua funcionando. Além da mão-de-obra, Fernandes declara que os moradores devem seguir à risca as regras do condomínio. Muitos condôminos reclamam de ter que descer para receber uma pizza ou uma encomenda. No entanto, é nesse momento que eles se tornam alvo fácil para os bandidos.
Nem sempre é preciso gastar muito

Grandes somas podem estar sendo mal empregadas, caso não haja um planejamento eficiente da segurança do condomínio. Em geral, alguns equipamentos já são
suficientes para barrar a entrada de pessoas indesejadas. Uma guarita para o porteiro, algumas câmeras, e um sistema de entrada com dois portões são razoáveis.

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Um excesso de monitoramento através de câmeras pode atrapalhar ao invés de ajudar. O ideal é que elas sejam fixadas em locais estratégicos e que as imagens
sejam gravadas para uma possível investigação policial. Com as fitas podemos identificar os bandidos e facilitar o trabalho da polícia.

O que ocorre de fato que é assim como os vigilantes, os moradores idealizam uma segurança que eles não têm. Logo, os portões são deixados abertos e não há uma
preocupação com o acesso à garagem, por onde a maioria dos bandidos entra. Aparentemente não é difícil convencer o porteiro da noite que você é um morador
que esqueceu o controle remoto, dirigindo um carro importado e estando bem vestido. Quase todos os condomínios gastam uma quantia enorme para se proteger
e acabam não utilizando bem os equipamentos.

Outro problema são as empregadas domésticas, que muitas vezes, por falta de orientação, deixam pessoas que nem sequer conhecem subir até o apartamento. “Os
moradores têm uma grande culpa pela falta de segurança”, acrescenta Fernandes. Ele recomenda que os condôminos se reúnam para discutir melhorias no sistema
se proteção do edifício, privilegiando a comunicação entre moradores e funcionários.

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