Cesta básica ficou 47% mais cara durante o Plano Real

Reajuste ficou muito abaixo do registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor (103,19%), mas foi compensando pelo aumento de outras despesas

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SÃO PAULO – Conseguir equilibrar as contas no final do mês ainda é tarefa difícil para a maior arte das famílias. Apesar do aumento dos preços ser inegável, pelo menos o consumidor tem um motivo para comemorar: o reajuste da cesta básica nos últimos oito anos ficou bem abaixo da inflação no período.

Correção muito abaixo do IPC

Pelo menos é o que indica os dados publicados, nesta terça-feira, pela Fundação Procon, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual. De acordo com o levantamento pode-se verificar que o custo médio da cesta básica apresentou acréscimo de 47,07% nos últimos oito anos, nos quais vigorou o Plano Real.

Apesar do aumento, o percentual ficou bem abaixo da inflação medida no período pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pela Fipe, que ficou em 103,19%. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) é divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas todos os meses. A pesquisa de preços é feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham de 2 a 6 salários mínimos, isto é, entre R$ 400 e R$ 1.200 por mês.

Alimentos puxaram a alta dos preços

O consumidor que, no dia 30 de junho de 1994, gastava R$ 106,40 para adquirir a cesta básica, passou a gastar R$ 156,48 em 28 de junho de 2002. Dentre os itens que mais subiram no período podemos destacar o grupo limpeza (+65,07%), o grupo higiene pessoal (+62,84%) e finalmente do grupo alimentação (+42,98%).

Apesar da variação dos preços de alimentação ter sido menos acentuada, o grupo teve maior influência na alta da cesta, considerando os produtos com maiores pesos na variação. Tanto o arroz como o feijão, componentes tradicionais na alimentação do consumidor brasileiro, apresentaram alta neste período de oito anos, ocasionados principalmente por fatores climáticos. No período de 1º de julho de 1994 a 28 de junho de 2002, o arroz tipo 2 teve variação de 61,33% e o feijão carioquinha, 88,17%.

Salário subiu, mas acabou comprometido

Se considerarmos que neste mesmo período o salário mínimo subiu de R$ 70 em setembro, mês após a introdução do Plano Real para os atuais R$ 200, isto é, um aumento de 185%, o fato da cesta básica ter aumentado em menos da metade da variação do IPC poderia ser visto como positivo, pois implicaria em um aumento da renda disponível do trabalhador.

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Entretanto, neste mesmo período, a gasolina subiu 220%, os planos de saúde aumentaram 220%, o gás de cozinha foi reajustado em 400% e a telefonia fixa sofreu uma correção de 440%, o que acabou comprometendo o orçamento do trabalhador e impedindo o aumento da renda disponível.

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