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SÃO PAULO – O anúncio da redução da alíquota de IPI para os carros com motorização abaixo de 2.0 animou tanto as montadoras, que já apostam em uma recuperação das vendas, assim como pelo consumidor que poderá pagar menos pelo carro zerokm.
Ao anunciar a redução do IPI a própria Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estimou que a redução para o consumidor final poderia chegar a R$ 3 mil, dependendo do modelo do carro. Nos modelos populares, com motor de até 1.0, a redução deve ficar entre R$ 300 e R$ 400, já entre os modelos de médio porte ela deve variar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Entretanto, no caso dos modelos populares a redução do IPI pode ser apenas temporária com duração até o final de outubro.
Reajuste do dólar será considerado
Os técnicos da maioria das montadoras estão trabalhando para divulgar uma nova lista de preço ainda neste final de semana, mas não foram divulgados detalhes sobre o assunto. A expectativa, contudo, é que o forte reajuste do dólar que nos últimos 30 dias acumula alta de 6% acabe sendo passado para o consumidor, pelo menos parcialmente. Com isto a redução final dos custos ao consumidor pode acabar sendo menor do que a inicialmente prevista.
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Perfil do mercado deve mudar
Como somente os modelos de tamanho médio, com motor acima de 1.0 e menor de 2.0, a redução das alíquotas de IPI não é temporária, as montadoras já apostam que o mercado pode mudar seu perfil nos próximos meses. Atualmente os carros com motor 1.0 respondem por 72,6% das vendas de carros no Brasil, mas é possível que este percentual caia para 60% ou 65%, devido ao tratamento diferenciado na redução do IPI.
Algumas montadoras são ainda mais agressivas nesta estimativa e acreditam que em poucos anos os carros populares possam voltar aos níveis de 1995, quando respondiam por 41% do mercado de automóveis no país. Se juntarmos a este percentual os carros pequenos, que têm motor acima de 1.0, a participação do mercado subiria para 60%.
Em contrapartida, os modelos médios devem aumentar sua participação dos 20% atuais para mais de 30%, pois a tendência é que as montadoras reduzam a produção de modelos 1.0 equipados com opcionais e se concentrem nos modelos de médio porte. Os modelos 1.0 seriam bastante básicos.
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Fiat e Ford tentam prorrogar redução para carros populares
Dentre as montadoras que estão comemorando as mudanças está a General Motors, pois a montadora tem uma participação proporcionalmente menor no segmento de carros populares. Enquanto na maioria das montadoras os populares respondem por até 70% das vendas, na GM eles são responsáveis por 55% das vendas. Esta situação está levando outras montadoras, como a Fiat e a Ford, a pedirem ao Governo que a redução do IPI para os carros populares seja mantida.
Ao contrário da GM as duas montadoras têm modelos na linha popular bastante fortes, como o Pálio, o Ka e Fiesta, de forma que a redução temporária seria prejudicial para elas. Além disto, tanto a Fiat quanto a Ford acreditam que para os carros médios aumentarem sua participação, seria preciso um aumento do poder aquisitivo dos consumidores, enquanto isto não acontecer os populares ainda devem se manter na liderança, e, portanto, a redução seria benéfica.